Carmem Murara
De Curitiba
A Companhia Paranaense de Gás (Compagás) iniciou o ano com a tarefa de convencer as empresas da Região Metropolitana de Curitiba e de Ponta Grossa a adotarem o gás de refinaria ou o natural como combustível. A pressa se deve ao fato de o gás natural da Bolívia começa a ser fornecido a partir de meados de março, mas, por enquanto, a receptividade das indústrias ao produto está pequena e ficou aquém da expectativa da Compagás. São 30 potenciais empresas que podem receber o combustível, mas por enquanto apenas oito assinaram contrato de fornecimento. A última foi a Incepa, na semana passada.
‘‘É um trabalho difícil de convencimento, porque mexe com custo, com investimentos e com a novidade’’, admitiu ontem o diretor-presidente da Compagás, Antonio Fernando Krempel (foto). As empresas que trabalham com óleo diesel ou com energia elétrica como combustível precisam adaptar seus equipamentos para receber o gás natural ou o gás de refinaria e isso representa tirar dinheiro do bolso.
Hoje a Compagás fornece 70 mil metros cúbicos de gás ao dia para as indústrias que estão em Araucária e Curitiba, mas a companhia tem potencial para garantir o abastecimento de 220 mil metros cúbicos do produto. A meta é fornecer 500 mil metros cúbicos ao dia até o final do ano, o que representará um árduo trabalho de convencimento junto aos potenciais clientes.
A pressa da diretoria da Compagás se justifica também pelo contrato assinado com a empresa que administra o gasoduto Brasil-Bolívia. A Compagás tem contratado 1,9 milhão de metros cúbicos até 2005 para o Paraná. O fornecimento vai aumentando aos poucos conforme um acordo pré-estabelecido.
Este mesmo contrato determina que a Compagás comece a pagar algumas tarifas já a partir de meados do ano. A taxa ‘‘ship or pay’’ é cobrada independente do uso ou não do gás e se refere ao transporte do combustível. Na metade do próximo ano, começa a ser cobrada uma segunda tarifa. A ‘‘take or pay’’ incide sobre o gás consumido ou não. ‘‘Se vendermos 400 mil metros cúbicos pagaremos uma penalidade sobre os 150 mil que deixaremos de vender’’, exemplificou o presidente da Compagás.
Os testes para verificar se há ou não viabilidade para iniciar o fornecimento do gás natural da Bolívia começaram no início deste ano. Os engenheiros estão avaliando se há vazamentos na rede e estão ajustando os aparelhos que definirão a pressão do gás. Ainda não há data marcada para a chegada do gás boliviano, que já abastece o Estado de São Paulo.