Compagas recorre para fazer audiência
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quinta-feira, 01 de março de 2001
Cláudia Lopes De Londrina 
A Compagas entrou ontem com um agravo no Tribunal de Justiça do Paraná para tentar cassar a liminar do juiz da 6ª Vara Civel de Londrina, Celso Seikiti Saito, que suspendeu no mês passado a audiência pública que discutiria, junto com a população, os impactos ambientais da rede de distribuição de gás natural do Norte do Estado. Na última sexta-feira, a Compagas também entrou com uma contestação, na 6ª Vara Civel, à ação cautelar inominada proposta pela promotoria de Defesa do Meio Ambiente de Londrina.
Além dos meios legais, a Companhia tenta negociar com a promotora de Defesa do Meio Ambiente, Luciana Ribeiro Lepri Moreira, um acordo para a realização da audiência. Ontem à tarde, a promotora reuniu-se com o advogado da Compagas, Pedro Pinto da Cunha Filho, em Londrina. Ele veio dizer que a Compagas quer conversar a respeito da situação e ficou de me procurar novamente daqui a dez dias.
Luciana disse não ser contra o empreendimento, que considera como a fonte de energia mais limpa disponível atualmente. Mas não vou abrir mão de algumas medidas para segurança e informação da população. A Compagas tem que consertar algumas falhas do estudo, que não explica de onde vem o gás e por onde vão passar os dutos, exemplificou.
A promotora lembrou que, não é por ser ecologicamente correto, que o gás natural não oferece risco no manuseio. Quero medidas mitigatórias para diminuir os impactos e medidas compensatórias como, no mínimo, as implantadas em São José dos Pinhais.
Alguns exemplos das medidas mitigatórias são treinamento especializado para médicos e enfermeiros para atendimento a queimados e equipamentos especiais para bombeiros. As compensatórias, implantadas em São José dos Pinhais, foram a compra de uma área de cinco alqueires para conservação de floresta, a compra de um imóvel para instalação da sede do Conselho Municipal do Meio Ambiente e de ONGs ligadas ao meio ambiente, treinamento e simulações de acidentes periódicos e seguro para a população, disse a promotora.
O advogado Pedro Pinto da Cunha Filho afirmou à Folha que vai se reunir com a diretoria da Compagas hoje. Devemos apresentar as propostas da Compagas ao Ministério Público nos próximos dias. O que queremos demonstrar à promotoria é que todos os projetos serão apresentados na fase apropriada.


