Compagás quer comprar gás natural de Pitanga
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de julho de 1998
Carmem Murara 
A Companhia Paranaense de Gás (Compagás) - empresa subsidiária da Copel - estuda a viabilidade econômica de comprar o gás natural que foi encontrado na região de Pitanga (centro do Estado) pela Petrobrás. O gás foi localizado, no ano passado, em dois poços perfurados na localidade de Barra Bonita, onde é possível a comercialização imediata. Um terceiro poço está sendo perfurado no município de Mato Rico e o resultado do estudo de viabilidade de exploração fica pronto dentro de 45 dias. A Compagás espera a conclusão dos testes para definir os detalhes da compra do produto.
O diretor presidente da Compagás, Luis Carlos Bruel, disse ontem que é mais interessante para o Estado levar o gás natural de Pitanga para os pólos consumidores, que ficam nas cidades de Londrina, Maringá e Apucarana, do que consumir na própria região. Somente Londrina e Maringá têm um potencial de consumo de 250 mil metros cúbicos por dia. Mas se a produção for insuficiente, o custo-benefício não viabiliza o projeto. Seria muito caro ter que fazer um gasoduto até a região Norte para levar pouco gás, afirmou Bruel. A segunda opção seria construir uma termoelétrica de pequeno porte em Pitanga.
Os dois poços de Barra Bonita forneceriam 130 mil metros cúbicos de gás por dia, num período de 20 anos. A quantidade é equivalente ao fornecimento inicial que a Refinaria Presidente Getúlio Vargas fará a 11 indústrias da Região Metropolitana de Curitiba, a partir de agosto. O gás da Repar poderá chegar a 250 mil metros cúbicos ao dia.
Além do insuficiente volume de gás encontrado, o que está emperrando as negociações entre a Petrobrás e Compagás é o preço do produto, considerado muito caro pela empresa paranaense. O preço de venda foi estipulado em US$ 2,10 por um milhão de BTU (unidade termo inglesa), enquanto a Compagás esperava um valor máximo de US$ 1,50. Com esse preço, a Compagás já poderia viabilizar a construção de uma termoelétrica em Pitanga.
Desde que começaram os estudos sobre o gás da Bacia do Paraná, a Petrobrás já investiu US$ 200 milhões. Somente a perfuração dos dois poços de Barra Bonita e o início do poço de Mato Rico custaram US$ 25 milhões. Para recuperar o investimento, a Petrobrás espera encontrar um volume maior de gás.


