Compagás não fala em reajuste; empresários estão apreensivos
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segunda-feira, 30 de outubro de 2006
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) encara com desconfiança os novos termos do fornecimento de gás boliviano ao Brasil. O coordenador do Conselho Temático de Infra-estrutura da Fiep, Paulo Ceschin, acredita que a Petrobras irá repassar o aumento nos custos de produção. ''O acordo foi a única alternativa que a Petrobras teve para garantir o fornecimento de gás ao Brasil. Mas há um ônus e ele deve ser repassado. A indústria deve ser onerada'', afirmou Ceschin.
No sábado, a Petrobras chegou a um acordo com a Bolívia sobre a exploração de petróleo e gás naquele país. A empresa passará a ser prestadora de serviços e o imposto para a produção aumentará de 50% para 82%. O Ministério de Minas e Energia alega que a rentabilidade da Petrobras será suficiente para assimilar o impacto e que o Brasil tem garantido o fornecimento de 30 milhões de metros cúbicos de gás da Bolívia por dia até 2019.
Ceschin comentou que, num eventual aumento dos preços, a região Sul vai sofrer mais impacto. ''O gás mais caro do Brasil é o da região Sul, porque tem preço atrelado à Bolívia. A tendência é de mais dificuldades. Além da carga tributária e do câmbio, as indústrias que usam o gás natural vão ter mais custos: cerâmica, madeireira, petroquímica...'', disse Ceschin.
O presidente da Companhia Paranaense de Gás (Compagás), Luiz Carlos Meinert, acredita que não haverá mudanças nos preços. Ele afirmou que a alteração no imposto para produção está em vigor desde maio, quando houve a nacionalização das reservas bolivianas. ''A Petrobras assimilou a diferença e acredito que vai continuar assim'', afirmou Meinert.


