Curitiba A Companhia Paranaense de Gás (Compagas) está contestando a intenção da Petrobras de reajustar, em agosto, o preço do gás natural importado da Bolívia. O comunicado foi distribuído, esta semana, pela estatal às distribuidoras do combustível no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Em contrapartida, a Compagas encaminhou uma carta de repúdio à gerência de comercialização de Gás Natural da Petrobras, manifestando-se contra o aumento.
Até o fechamento desta edição, a assessoria de imprensa da Petrobras, no Rio de Janeiro, não confirmou o reajuste, mas a Folha obteve cópia da circular repassada às distribuidoras. No documento, a estatal argumenta que irá retirar o desconto de US$ 0,18/MMBtu, que vinha aplicando, espontaneamente, desde 1º de abril de 2003, por conta da elevação, em 20,14%, nos preços de compra do contrato com a boliviana YPFB, a partir do dia 1º deste mês.
Na prática, segundo cálculos da Compagas, isso representará um reajuste de 27% 14% a partir de 1º de agosto e o restante em outubro para as distribuidoras. O preço pago, atualmente, pela distribuidora paranaense é de US$ 3,5378/MMBtu. ''Um aumento agora é um desrespeito da Petrobras com todo o mercado de gás natural e uma contradição para uma empresa que afirma ter a intenção de massificar o uso do gás natural em todo o País'', afirmou o presidente da Compagas, Rubico Camargo. Ele anunciou seu pedido de demissão da companhia, há uma semana, mas continuará no cargo até que seu sucessor, Luiz Carlos Meinert, assuma.
Segundo informações da Compagas, para justificar o reajuste, a Petrobras usa, também, o impacto dos impostos com a nova Lei de Hidrocarbonetos da Bolívia e ''a manutenção da sustentabilidade dos investimentos no setor de gás natural''.
Essas justificativas são contestadas pela Compagas, pois, segundo a empresa, não há previsão de investimentos relevantes da Petrobras na região Sul do Brasil, que será a mais atingida com a medida. ''A Petrobras está utilizando a situação política e econômica da Bolívia como justificativa para aplicar aumentos represados no preço do gás natural e não podemos concordar com isso'', disse Camargo.
De acordo com a carta de repúdio da Compagas, em dezembro de 2003, o presidente da Petrobras teria anunciado uma política de preços incentivados para o gás natural medida que nunca foi implantada porque a própria estatal teria se recusado a assinar os contratos. Outro ponto exposto como contraditório pela Compagas seriam as afirmações de dois dirigentes da Petrobras de que a Lei de Hidrocarbonetos não afetaria o preço para o mercado brasileiro, pois os encargos recairiam apenas sobre os produtores de gás na Bolívia.
A Compagas está analisando se há possibilidade de absorver o reajuste sem repassá-lo aos consumidores ou de promover um aumento menor.

mockup