Vânia Casado
Produtores paranaenses que viajaram aos Estados Unidos para conhecer o sistema de produção agrícola daquele país não se assustaram com a tecnologia colocada à disposição dos produtores norte-americanos. Pelo contrário, disseram que essas técnicas também estão disponíveis no Brasil e chegam pelas mãos das multinacionais. Mas a falta de pesquisa direcionada à realidade brasileira, as dificuldades de acesso ao crédito, queda de rentabilidade do setor e a excessiva carga de impostos sobre a produção foram apontados como principais fatores de limitação ao desenvolvimento tecnológico na produção agrícola brasileira.
A avaliação é do diretor da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Francisco Carlos do Nascimento, que coordenou a primeira de uma série de viagens técnicas que a Faep está proporcionando aos presidentes de sindicatos rurais. O objetivo é fazer com que os produtores conheçam o sistema de produção de outros países. Na primeira viagem, semana passada, foram 37 presidentes de sindicatos que percorreram propriedades, Federação da Agricultura dos Estados Unidos (Farm Bureau) e Universidades de Illinois, Indiana, Iowa e Michigam, região conhecida como cinturão do milho.
Os paranaenses constataram que na produção de soja, começam a perder competitividade a partir dos custos e distribuição da produção, sendo que a média de produtividade obtida no Paraná é até superior. Enquanto a produtividade média nos EUA é de 2.600 kg/ha, no Paraná a média obtida nesta safra foi de 2.800 kg/ha. No milho, reconhecem que começam a perder na produtividade. No Meio-Oeste norte-americano, a média obtida na produção de milho de 10.000 kg/ha é excelente, graças à pesquisa e alta tecnologia empregada, como aplicação de hidrogênio gasoso, que permite o melhor aproveitamento pela planta. A logística de distribuição, escoamento e comercialização no mercado futuro e a inexistência de impostos sobre a produção agrícola norte-americana constituem itens decisivos para o ganho de competitividade dos produtos agrícolas. Lá a carga de impostos recai sobre a renda.
Encargos sociais Entre os itens de redução de custos que chamaram a atenção dos presidentes de sindicatos rurais, foi a desburocratização da legislação trabalhista no meio rural e a redução nos custos de escoamento da produção. Nos estados de Illinois e Indiana, o contrato de trabalho é firmado entre patrão e empregado, sem a interferência do governo.
Não existe Justiça do Trabalho, sendo que as relações trabalhistas quando questionadas vão para a Justiça comum. O contrato é válido por um ano e renovado no ano seguinte, sendo que fica valendo o acerto entre as partes e muitas vezes a palavra substitui o contrato, disse o produtor Joseph Faivre, um grande produtor de soja e milho do Estado de Illinois.
Empregados rurais ganham entre US$ 7 e US$ 8 por hora para trabalho de meio período e de US$ 8 a US$ 10 por hora para período integral. Esse valor está bem acima do valor mínimo fixado pela legislação que estabelece o pagamento entre US$ 5,25 e US$ 5,50 a hora. Segundo Faivre, o valor de mercado do pagamento dos funcionários é alto e geralmente cobre as necessidades básicas dos funcionários. Muitas vezes, para atrair funcionários, os produtores oferecem moradia nas propriedades. O recolhimento previdenciário é obrigatório e a alíquota é de 12%, sendo 6% recolhido pelo patrão e 6% pelo empregado. O produtor recorre ao pagamento de seguro, que cobre os custos com acidentes de trabalho ou de saúde do empregado.
Hidrovia No escoamento da produção, a infra-estrutura de hidrovias e ferrovias está presente em toda a região produtora. No Meio-Oeste Americano, o transporte de soja e milho é feito pelo rio Mississipi, num trajeto de 2.200 quilômetros até o Golfo do México. O transporte por hidrovia custa entre US$ 7,25 e US$ 7,5 a tonelada. Por ferrovia, o transporte sai por US$ 8 a tonelada. Esse custo foi considerado baixo por Nascimento que comparou com o custo do transporte no Brasil. Segundo ele, a mesma extensão no Brasil, entre o Mato Grosso e o porto de Paranaguá custa entre R$ 75,00 e R$ 80,00 a tonelada.Os americanos usam mais tecnologia e pagam menos impostos. O custo do transporte também é menor
Divulgação/FaepLivre para produzirO fazendeiro Joseph Faivre, de Illinois: bons salários, contrato informal e sem conflito. Americanos não têm leis trabalhistas

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