Como investir bem em 2011
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Victor Lopes <br>Reportagem Local 
O ministro da fazenda Guido Mantega já afirmou que 2011 é o ''ano do reajuste'' para a econômia do País. Por isso, o brasileiro deve ter muito cuidado para movimentar e realizar aplicações financeiras neste período de início do governo Dilma Rousseff. Objetivos do fundo, política de investimento, taxas e tributos, fatores de risco...tudo deve ser avaliado na ponta do lápis antes de injetar dinheiro em produtos oferecidos por bancos comerciais ou mesmo na bolsa de valores. A FOLHA consultou um especialista em finanças para saber como os brasileiros devem se portar com seu capital neste início de ano.
Perfil do fundo e medidas tomadas pelo governo. Essas são as duas variáveis que tornam complicado desvendar qual é a melhor saída para os investimentos neste momento. ''Não há como dizer qual fundo de investimento será mais afetado, já que a diversidade deles é enorme. Vai depender também da cartela de investimentos de cada um'', explica Marco Cunha, professor de finanças do ISAE/FGV.
Segundo o economista, a melhor saída é ser conservador e aguardar quais serão os ajustes impostos pelo governo. Para quem não tem domínio de mercado ou não sabe escolher uma ação, por exemplo, o ideal é manter o dinheiro na poupança ou aplicar nas chamadas rendas fixas - os fundos 'DI' - que são atrelados diretamente à taxa selic. ''Em alguns tipos de aplicação, realmente o investidor vai ficar mais exposto a alterações que causam impacto no mercado. Apesar de eu acreditar que o mercado está sendo preservado para investimentos futuros, vale ficar atento caso não se tenha experiência no assunto'', avalia Cunha.
Inflação
Mesmo aplicando em investimentos de menor risco é preciso ficar atento. Vale questionar ao banco qual é a rentabilidade desse fundo, seu histórico, suas taxas administrativas e por quanto tempo o dinheiro deve ficar aplicado para não haver frustrações na hora do resgate. ''Um investimento para menos de seis meses é mais vantajoso a poupança do que um fundo de renda fixa. À medida que os prazos vão ficando maiores, a tributação governamental é regressiva, iniciando em 22,5% sobre os rendimentos e chegando aos 15% após os 18 meses'', ressalta.
Aliado às tributações governamentais cobradas sobre os investimentos, independentemente de quais sejam, há também as taxas administrativas cobradas pelos bancos, que variam entre 1% e 3%. ''Uma rentabilidade que giraria em torno de 10% a 11% ao ano pode ser bem afetada se perder 2% com taxas de carregamento, sem contar as tributações governamentais'', comenta o economista.
O investidor ainda deve tentar proteger suas economias da inflação, que segundo o BC, podem atingir 5% ao ano em 2011 - projeção 0,5% acima do estabelecido pelo Conselho Mometário Nacional (CMN). ''Não há muitas alternativas para esse caso. Uma ideia seria realizar investimentos com taxas de juros pré-fixadas, neste caso elas são menores, mas com correção de variação da inflação. Entretanto, há poucos investimentos atrelados dessa forma'', afirma o especialista.


