Como fica o câmbio
COMO FICA O CÂMBIO
As mudanças do Banco Central nas bandas de flutuação do dólar
Como era
- O Banco Central definia os limites para a cotação do dólar e sua taxa de desvalorização por um sistema com dois componentes: as bandas largas e as minibandas.
- As bandas largas eram definidas anualmente e tinham a função de dar parâmetros para a desvalorização do dólar nos 12 meses seguinte. No ano passado, a desvalorização foi de cerca de 7,5%.
-) O último ajuste da banda larga havia ocorrido em 20 de janeiro de 1998. O seu teto foi definido em R$ 1,22, e o piso, em R$ 1,12.
- Essa banda sinalizava que, em um período de cerca de um ano, o dólar sairia do piso da banda larga para o teto - o que de fato ocorreu. O dólar estava em R$ 1,129 em 20 de janeiro de 1998, próximo do piso da banda larga, e anteontem chegou a R$ 1,2114, próximo do teto.
- O BC promoveu essa evolução na taxa de câmbio usando as minibandas. Como o próprio nome diz, as minibandas eram bandas menores, com teto e piso, que ficavam dentro da banda larga.
- O teto e o piso da minibanda eram reajustados pelo menos sete vezes por mês. Assim, em 20 de janeiro de 98 o teto da minibanda era R$ 1,1200, e o teto, R$ 1,1250. Esses valores eram muito próximos do piso da antiga banda larga. De lá para cá, o teto da minibanda foi reajustado para R$ 1,2115, e o piso, para R$ 1,1975. Esses valores são mais próximos do teto da antiga banda larga.
- As minibandas impunham limites para a cotação do dólar. A cotação que valia em operações financeiras ou de comércio exterior tinha de ficar entre o seu teto e piso.
- Para tanto, o BC intervinha no mercado. Quando o dólar ameaçava romper o teto da banda, o BC vendia dólares para segurar a cotação. Quando ameaçava romper o piso, entrava comprando, para levantar a cotação.
- Em abril do ano passado, o BC decidiu mudar vagarosamente o sistema. Seu objetivo era ampliar a minibanda para que seu intervalo ficasse mais próximo da banda larga. Assim, o piso da minibanda começou a ser reajustado em um ritmo mais lento que o teto. Isso garantiria que, em dois ou três anos, o intervalo entre o piso e o teto da minibanda ficasse em cerca de 4%.
Como fica
- O BC criou um novo sistema, que tem dois efeitos práticos. Primeiro, o real sofreu hoje uma desvalorização de 8,96% em relação ao dólar. Segundo efeito: daqui para diante, o ritmo de desvalorização será menor. Em vez dos 7,5% anuais anteriores, a taxa de desvalorização ficará entre 2,72% e 5,45% anuais.
- A minibanda foi extinta. Isso significa que o BC não fará mais intervenções para garantir que a cotação do dólar fique dentro de limites estreitos. A partir de agora, só existe banda larga. Foi fixado um novo teto da banda larga, de R$ 1,32, e um piso, de R$ 1,20. O BC só intervirá para garantir que a cotação do dólar fique dentro da banda larga.
- O BC intervém no mercado comprando ou vendendo dólares. Quando a cotação ameaça romper o teto, o BC a contém, vendendo dólares. Quando ameaça romper o piso, o BC entra comprando dólares e evita quedas maiores.
- A consequência prática do fim da minibanda foi uma desvalorização de 8,96% do dólar ontem. Antes, o BC se empenhava para a cotação do dólar não superar R$ 1,2115. Agora, seu compromisso é que a moeda não ultrapasse R$ 1,32, o teto da banda larga estabelecido ontem.
- Com o fim da minibanda, a cotação do dólar saiu de R$ 1,2114, registrados ontem, para encostar ontemem R$ 1,32, o teto da banda larga. Isso equivale a uma desvalorização de 8,96% em um dia.
- Nada garante que a cotação do dólar vá permanecer em R$ 1,32. Esse foi um fenômeno que ocorreu ontem, em um dia de surpresa e nervosismo. Na hipótese de o mercado se acalmar, a cotação poderá baixar, teoricamente, até o piso, fixado em R$ 1,20. Essa é a principal característica do novo sistema: a cotação tem mais espaço para flutuar.
- Daqui para diante, as bandas largas vão ser corrigidas a cada três dias úteis. Ou seja, na segunda-feira, vai ser definido um novo teto e um novo piso da banda. Na quinta-feira que vem, a operação se repete.
- O teto e o piso vão ser corrigidos de acordo com a cotação do dólar. Se a cotação média do dólar em cada período de três dias ficar próxima do teto da banda, o ajuste do teto será menor. Se a cotação ficar próxima do piso, o teto sofre correção maior.
Exemplo 1 - A cotação do dólar fica hipoteticamente sempre no teto da banda, nos três dias. Nesse caso, o teto é reajustado em R$ 0,003, e o piso não sofre correção alguma.
Exemplo 2 - A cotação do dólar fica sempre no piso da banda, nos três dias. Nesse caso, o teto da banda é reajustado em R$ 0,006, e o piso, em R$ 0,003.
Exemplo 3 - A cotação do dólar fica no centro da banda, entre o piso e o teto. Nesse caso, o piso é corrigido em R$ 0,0015, e o teto, em R$ 0,0045.
- Essas pequenas correções do piso e teto da banda a cada três dias, quando somadas, produzem uma desvalorização considerável do câmbio em um ano.
- A desvalorização será de no mínimo 2,72%, desde que a cotação fique sempre no teto. A correção máxima será de 5,45%, caso a cotação do dólar fique sempre no teto.
- Nesses dois casos, o efeito prático é que a desvalorização do real será menor que a vigente até ontem. Pelo sistema antigo, o dólar era desvalorizado em cerca de 7,5% ao ano.
- O novo sistema de reajuste do teto e do piso vai permitir também o alargamento da banda. Como o ritmo de ajuste do piso é menor que o teto, a diferença entre um e outro tende a crescer. Assim, o intervalo que hoje é de 10% poderá crescer até 2 pontos percentuais por ano.
- O efeito prático desse maior intervalo da banda é que a cotação do dólar poderá ter, ao longo do tempo, maior volatilidade, pois poderá oscilar dentro de uma banda maior.





