As perspectivas para o investidor nos próximos meses estarão amarradas basicamente a dois cenários, que dependem do sucesso ou fracasso da nova política cambial adotada pelo governo. Confirmado o cenário em que o preço do dólar recua e se estabiliza, a inflação não foge do controle e os juros caem, a opção pela renda fixa agora, especialmente pelo fundo DI, terá sido a alternativa segura, por seguir o comportamento das taxas de juros, e rentável, com rendimento acima da inflação. Para esse cenário, as aplicações em Bolsas de Valores, no momento, também estariam sendo feitas com ótimas perspectivas, já que as ações estão muito baratas em dólar.
Se houver a recuperação da credibilidade do País, os investidores estrangeiros poderão voltar aos mercados de ações com bastante apetite. Já a compra de dólar por preço mais alto agora terá dado prejuízo, o imóvel adquirido agora por preço inflado poderá ter cotação menor no mercado depois e os reais guardados fora do mercado financeiro teriam deixado de render.
No cenário extremo, em que o governo recorresse à moratória mais adiante, a opção pela renda fixa (CDBs, caderneta e fundos) poderá significar a indisponibilidade de recursos por algum tempo ou corte de rentabilidade. Já as ações adquiridas agora tenderiam a dar prejuízo num quadro de calote, num primeiro momento. O dólar também poderia acarretar prejuízos nesse cenário, porque a redução do volume de dinheiro na economia dificultaria a venda da moeda posteriormente, o que diminuiria seu preço. A compra de imóvel também poderia provocar perdas, porque alguns preços já subiram agora, mas tenderiam a cair pela crise de liquidez motivada pela falta de dinheiro na mão de consumidores e investidores. Os reais, no caso, estariam mais valorizados, diante da crise de liquidez geral. A diferença entre renda fixa e ativos reais, como imóvel, dólar e ações, é que nestes últimos o investidor fica com autonomia para administrar os seus recursos.

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