Poupar, poupar, poupar. No final do ano, esta valiosa lição financeira passada de geração para geração deve ainda vigorar. Mas com o 13º salário em mãos e o clima de Natal no ar é muito fácil perder o controle do orçamento e acabar gastando mais do que deveria. Especialistas ensinam, no entanto, que antes de sucumbir aos prazeres consumistas, o ideal é planejar o que fazer com esta renda extra com planejamento e, quem sabe, conseguir até dar um empurrãozinho para conseguir atingir objetivos mais duradouros na vida pessoal ou familiar.
De acordo com o professor Antônio Zotarelli, docente do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Maringá (UEM), o trabalhador deve começar desde já a pensar o que fazer com o seu 13º salário. ''Isso faz parte do planejamento. Não é porque é dinheiro extra que cai do céu'', alerta o professor, que ministra aula no projeto de extensão ''Finanças Pessoais Sustentável'' da universidade maringaense.
Para saber o que fazer com este dinheiro, Zotarelli aponta que é bom que a pessoa já tenha um orçamento doméstico em mãos e conheça seus gastos, seus bens e dívidas. Se existem contas pendentes, a melhor aplicação do 13º é a liquidação de todas elas, quando possível. Caso contrário, o professor recomenda que devem ser priorizadas as dívidas mais altas. ''Identificar em cada uma delas qual o número de parcelas, quantas faltam e a taxa de juros embutida.''
Desta forma, mesmo que a renda extra do final de ano não seja suficiente, a pessoa pode amortizar a dívida. Ela só não pode se esquecer, neste caso, de pedir o desconto dos juros inclusos nas parcelas pelo pagamento antecipado. ''Cada parcela tem uma parte de juros. Como o pagamento está sendo antecipado, o cliente tem que exigir o desconto.''
O consultor financeiro Charles Vezozzo, diretor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) em Londrina, recomenda ainda que, ao fazer a amortização, o devedor negocie com o banco a troca da dívida por uma alternativa de pagamento com juros mais baixos. Ele alerta que os juros do cartão especial e do pagamento mínimo do cartão de crédito são os mais altos.
Quando o trabalhador não tem dívidas e possui dinheiro investido, ele deve utilizar o 13º para aproveitar para engordar este patrimônio, aconselham os especialistas. ''O primeiro conselho que dou para situações em que a pessoa recebe algum valor é poupar, no mínimo, 10% de reserva para eventualidades de saúde ou projetos'', cita Vezozzo.
Começar a poupar
Quando o trabalhador não tem dívidas e ainda não tem nenhum tipo de investimento, essa é uma boa hora para sentar com a família e pensar numa alternativa rentável. Aos iniciantes no mercado financeiro, Zotarelli e Vezozzo aconselham a caderneta de poupança, por não ter tantos segredos e adequar-se a qualquer tipo de bolso.
Mas o investidor não deve parar por aí. A busca constante de conhecimento sobre outras formas de investimento também é importante, avalia Zotarelli. ''Estamos em um momento em que a economia está aquecida e há demanda por trabalhadores. Mas e se vier uma crise, como aconteceu nos Estados Unidos e o País começar a desempregar? Não podemos pensar que isso não vai acontecer'', finaliza o professor da UEM.

Imagem ilustrativa da imagem Como fazer bom uso do dinheiro extra