Brasília - A oposição ao texto da medida provisória 232, que aumentou o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para as empresas prestadoras de serviço, ganhou um novo aliado. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), fez ontem coro com empresários e com o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP/PE) e avisou que o texto não será aprovado se o governo se recusar a negociar. ''Eu defendo mudanças na MP. Como ela está, não passa'', afirmou durante café da manhã em sua residência oficial.
Ao mesmo tempo, Renan ressaltou que as alterações no texto devem primar pelo equilíbrio das contas do governo. Uma saída para enterrar a MP seria reduzir os gastos públicos para evitar novos aumentos de tributos. Esse mesmo argumento foi exposto por empresários na semana passada no Congresso Nacional. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, comparou os gastos públicos ao ''câncer''. E disse que o governo deveria reduzir suas contas ao invés de elevar tributos.
O presidente do Senado quer aproveitar a discussão sobre a MP 232 para que a Câmara retome a votação da reforma tributária. Parada desde o ano passado, a reforma ajudaria a resolver esses problemas de elevação de impostos e contribuições, de acordo com Renan. No entanto, principalmente por pressão dos governadores, o texto não volta à pauta dos deputados. ''Os governadores dificultam, mas isso precisa ser contornado'', afirmou.
Um dos pontos mais polêmicos da reforma e que precisa ser resolvido é a unificação das 27 alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Seviços (ICMS), o que acabaria com a concessão de benefícios pelos governadores a empresas que prometam investir na região, a chamada ''guerra fiscal''.

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