Todo ano é a mesma coisa. Quando chegam os meses de setembro e outubro e os termômetros começam a subir, as pessoas se dão conta do estrago que a vida sedentária fez ao corpo. A saída é correr para parques e academias e começar um programa radical de exercícios para estar mais ou menos em forma para o verão. Terminado o calor, os dias frios, além de serem um convite para comer mais, vêm invariavelmente acompanhados de preguiça para continuar a ginástica. Como resultado, as pessoas saem da academia, e só vão pensar de novo no assunto no próximo verão.
Esse vai e vem na rotina dos exercícios, é claro, está longe do ideal para a manutenção de um corpo saudável. Segundo o professor de Educação Física Dalton Grande, gerente do Centro de Referência de Atividades Físicas da Secretaria do Esporte e do Lazer de Curitiba, como o corpo foi concebido para o movimento e para o esforço, para manter o sistema muscular, esquelético, cardíaco e pulmonar é necessário movimentar o corpo com frequência, ou seja, o melhor é não parar de fazer exercícios.
Para diminuir a tentação de abandonar a ginástica no meio do caminho, a recomendação é uma só: ''Não importa o que a pessoa vai escolher para fazer, desde que ela sinta satisfação, ou aquilo vai se tornar um sacrifício e ela vai acabar desistindo'', adverte o professor. Mesma opinião tem Kelly Fukuda, coordenadora do programa de Resultados da academia Cia. Atlética. ''A pessoa tem que procurar uma atividade que seja prazerosa'', afirma ela que, em seu trabalho, tem a função de buscar o melhor programa de exercícios para cada aluno.
Em geral, quem procura uma academia são pessoas que querem emagrecer, quem tem uma rotina sedentária e procura condicionamento físico; jovens que querem ganhar massa muscular; e pessoas de idade que querem prevenir a osteoporose.
Kelly explica que o importante é aliar o que a pessoa gosta com o que precisa fazer, de acordo com os objetivos dela. Como exemplo, cita o caso de uma pessoa que quer emagrecer, mas que gosta e faz só alongamento. Como trata-se de uma atividade que gasta pouca caloria, ela orienta para que faça também outro exercício de alto dispêndio calórico.
É o que faz a terapeuta holística Célia Regina Tanaka, de 54 anos, que entrou na academia há três anos com objetivo de prevenir osteoporose. ''O problema é que não gosto da aula de musculação, mas me encontrei na aula de BodyJam, que é uma modalidade com dança, muito mais divertida. É uma aula que anima e dá mais vontade de vir para a academia'', diz. Ela pratica os exercícios cinco vezes por semana e também faz bicicleta e alongamento.
Já o empresário Wilbor Tesserolei Batista, 60 anos, faz academia há um ano e meio. ''Entrei por causa da saúde, estava ficando hipertenso, e também para perder gordura.'' Ele garante que hoje praticamente conseguiu seus objetivos: a pressão está na casa dos 12 por 8 e ''só falta perder dois quilos''. Para chegar na atual condição física, o empresário faz uma hora de atividades entre bicicleta e esteira inclinada, musculação em aparelhos e nas cordas.
As academias dos dias de hoje são feitas para atender todos os gostos. Entre as atividades aeróbicas, tem bicicleta, esteira para andar ou correr, bodyJam, aulas de dança de vários ritmos, powerJam (com trampolim ou cama elástica). Quem não gosta de musculação com aparelhos, pode optar por ginásticas localizadas, ou outras atividades feitas em grupos, como o bodyPump (treinamento que une a dança ao uso de pesos) e a flying cords (feita com cordas). Há, ainda, aulas de pilates, dança de salão, body combat, Muay thai, entre outros. Para relaxar, alongamento e yoga.
Incentivar a permanência do aluno na academia é importante, para isso, segundo Kelly, é preciso traçar metas e acompanhar os resultados. ''É importante colocar metas pequenas a curto e médio prazo. E celebrar as pequenas vitórias'', diz. Se os resultados não forem satisfatórios ou o aluno não estiver gostando é preciso mudar os exercícios. ''O importante é que a pessoa saia da academia melhor do que entrou'', completa Kelly.

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