Diversificar as atividades da propriedade agrícola, guardar reservas para arcar com futuros prejuízos e investir em inovações tecnológicas são algumas precauções que os produtores rurais devem tomar para enfrentar o sobe-e-desce do agronegócio. Vários fatores como a variação cambial, a produção mundial e a produtividade determinam os preços das commodities e os agropecuaristas têm que estar preparados para essas variações.
O assunto foi abordado pelo professor doutor Carlos José Caetano Bacha, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP, na terça-feira à noite. A palestra ''Agronegócio e Agropecuária no Brasil: tendências e desafios'' foi ministrada durante a 16 Semana de Economia, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O palestrante de hoje é o professor Sergio Salles Filho, da Unicamp, que vai falar sobre ''Educação, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico''. Amanhã, a palestra será sobre a política econômica, com o professor Renaut Michel, da Ucam/RJ.
Nos últimos dez anos, a agropecuária brasileira aumentou em mais de três pontos percentuais sua participação no Produto Interno Bruto (PIB). Esse crescimento foi favorecido por causa de alguns fatores como aumento da produtividade e dos preços em alta. No entanto, atualmente, a agricultura de grãos está em crise, o contrário do que está ocorrendo com a pecuária. Um dos setores que mais teve lucro nos últimos quatro anos foi as exportações de carne.
Em 2001, o comércio externo de carne rendeu ao País cerca de US$ 2 bilhões; no ano passado, o lucro saltou para US$ 6,5 bilhões. ''Como a agricultura de grãos estrou em crise neste ano, a agropecuária está sustentado o agronegócio'', afirmou Bacha. No entanto, ele lembra que, em 2004, o custo de produção da saca de soja foi de R$ 16, mas os agricultores comercializaram o produto por até R$ 52. ''Parte do lucro que os sojicultores tiveram no ano passado terão que gastar agora para cobrir seus custos'', explicou.
Por isso, é interessante aos agricultores nunca concentrarem suas atividades em uma só cultura e sempre guardar parte dos seus lucros para gastar com eventuais prejuízos. Além disso, investimentos em inovações tecnológicas podem trazer redução de custo. Este ano, a agricultura foi prejudicada pelo clima. A estiagem que atingiu a Região Sul entre o final de 2004 e início de 2005 vai ocasionar perdas de 20 milhões de toneladas na agricultura.
''Os produtores ficarão com dívidas a pagar e irão pressionar o governo. Só que o governo não tem dinheiro para todos e alguns certamente terão que arcar com os prejuízos'', disse o professor. Ele acrescentou que somente os grãos passam por uma crise. Cana-de-açúcar e o café estão com a cotação em alta e registram aumento da produção.

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