Como e onde aplicar em outubro
Agência Estado
De São Paulo
O cenário econômico passou por uma repentina reviravolta e o investidor precisa reavaliar a decisão de investimento no mês que começa. A derrota do governo no Supremo Tribunal Federal (STF), que barrou a proposta de cobrança da contribuição previdenciária dos servidores inativos e de aumento de alíquota para os em atividade, levou a uma reversão de expectativas.
A impressão é que o cenário mais otimista de setembro que favoreceu a valorização das ações, uma redução de pressão sobre o dólar e estimulou uma redução das taxas de juros ficou para trás. O diretor operacional do Banco Panamericano, Wilson de Aro, comenta que a decisão do STF perturbou o mercado financeiro, que retomou o pessimismo, numa inversão do sentimento de relativa calmaria predominante em setembro.
A instabilidade desta virada de mês apenas não se perpetuaria no mercado se o governo agir rápido e decidir quanto antes as medidas que compensariam a perda de receita provocada pela derrota no STF. Alimenta incertezas no mercado o temor de que a perda de receitas na Previdência ponha em risco as metas de ajuste fiscal definidas com o Fundo Monetário Internacional.
O momento, portanto, exige cautela redobrada do investidor. E, pelo sim pelo não, o diretor do Panamericano sugere investimento em títulos e fundos com rendimento vinculado aos juros do mercado interbancário (CDI) e fundos de renda fixa. A vantagem de um fundo DI, na instabilidade, está na rapidez com que acompanha os juros.
De Aro considera improvável uma alta dos juros. Ele trabalha com a perspectiva de que, diante do fato novo criado pelo STF, o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha o juro básico em 19% ao ano na reunião agendada para quarta-feira. Um dia antes, na terça-feira, o Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) reúne-se para decidir sobre o rumo dos juros de curto prazo nos EUA.
Mercados e investidores estrangeiros estão sem palpite sobre a possível decisão do Fed, embora admitam que uma eventual elevação de 0,25 ponto básico está antecipadamente incorporada nos demais juros e preços de ativos. O diretor do Panamericano afirma que apenas um gigantesco tombo da Bolsa de Nova York pode provocar abalos nos demais mercados.
Sua avaliação em relação à Bolsa doméstica é que o investidor tende a aproveitar a deterioração de cenário para vender ações e embolsar os lucros. O momento não é interessante para entrar na Bolsa, que tenderia à queda no curto prazo.Reviravolta no cenário econômico recomenda cautela ao aplicar dinheiro nas próximas semanas
VIRADA NO QUADROAmbiente otimista de setembro, com valorização do mercado de ações, não deve se repetir agora. Dólar e juros, que também mantiveram trajetórias mais moderadas, podem voltar a sofrer pressão





