A rotina diária é pesada. O trabalho só aumenta, as responsabilidades dobraram, mas o salário continua o mesmo. Será que é hora de pedir um aumento? Depende. Assim como uma relação de compras, as relações de trabalho são baseadas nas trocas de benefícios. Isto significa que as empresas modernas estão interessadas nos resultados gerados pelos seus colaboradores. Pedir um acréscimo nos vencimentos sem mostrar resultados ou os benefícios gerados pelo seu trabalho não vai adiantar.
  O consultor Abraham Shapiro, especialista em Comportamento Organizacional e Lideranças e Conflitos, explica que as relações de trabalho estão baseadas em três itens: características, vantagens e benefícios. Por exemplo: no currículo, o profissional deve relacionar os seus atributos e expor as suas potencialidades (características). Se o trabalhador for contratado, o período de experiência previsto em lei servirá para mostrar à empresa como o colaborador ‘‘funciona’’ (vantagens).
  Depois deste prazo, o profissional precisa render, ou seja, produzir os benefícios para que a empresa passe a ganhar com a sua contratação. ‘‘O maior pecado do profissional é quando ele acha que já sabe tudo e olha só para o seu próprio umbigo. Neste caso, ele perde a noção do caminho que deve percorrer para proporcionar ainda mais benefícios à empresa’’, afirma Shapiro. Segundo ele, isso geralmente ocorre porque a maioria dos profissionais não traça um plano de desenvolvimento profissional e pessoal.
  ‘‘O trabalhador precisa estar sempre atualizado e fazer planos de desenvolvimento dentro da sua área de atuação’’, explica o consultor. Além de aumentar a produtividade e, conseqüentemente, gerar mais benefícios aos empregadores, de quebra o colaborador aumenta a sua empregabilidade. ‘‘O benefício (aumento do salário) acontece em decorrência da sua atuação na empresa. O profissional deve ter algo a mostrar antecipadamente antes de pedir um acréscimo’’, salienta.
  Shapiro também diz não adotar a expressão ‘‘ninguém é insubs-tituível’’. ‘‘A pessoa deve traçar um desenvolvimento pessoal e profissional, deve ter raízes e asas. Se isso ocorrer o colaborador se tornará mais empregável e cada vez menos substituível, até que ele se torne insubstituível’’, comenta. O profissional deve estar focado em um plano de carreira, não só em um plano de função ou salário. ‘‘Para cargos gerenciais, o profissional deve estar disposto a assumir riscos, oferecendo suas competências e habilidades. As contratações e as remuneração são definidas com base nestes critérios’’, diz.
  Além disso, ele faz uma outra ressalva. ‘‘Quando há cortes, as empresas não demitem os que produzem. A maioria das empresas sabe valorizar quem dá retorno, estamos na fase da ‘meritocracia’, que são os benefícios advindos do mérito’’, salienta.

mockup