Em tempos de crise econômica as formas de utilização e aplicação do dinheiro recebem uma atenção especial, mais do que necessária para não perder rendimentos ou efetuar gastos de forma desordenada e irracional. Para isso, os potenciais investidores, sejam eles pequenos ou médios poupadores, devem ficar atentos às vantagens e desvantagens das formas oferecidas pelo mercado para se aplicar as economias.
Conforme orienta o economista Antonio Eduardo Nogueira, professor da Univesidade Estadual de Londrina (UEL), primeiramente o investidor deve definir quais são as suas prioridades ao optar por uma das formas de investimento. ''É importante saber qual o período disponível para deixar o dinheiro aplicado e o valor do montante que se dispõe para a aplicação. Com base nesses elementos é que se deve definir o tipo de aplicação ideal para cada perfil de investidor'', ressalta.
De acordo com o economista, para investimentos de médio e longo prazo são indicados os imóveis, títulos públicos, títulos de renda fixa e aplicações na Bolsa de Valores. ''É preciso ter disponibilidade de tempo para ver seu dinheiro efetivamente valorizado ao se aplicar na Bolsa de Valores, imóveis ou mesmo nos títulos do governo. Um prazo mínimo de cinco anos é necessário para que o mercado sofra mudanças significativas que repercutam no rendimento'', explica.
Para aqueles que desejam aplicar em um curto prazo de tempo, a poupança continua sendo a opção mais segura. ''Com o dinheiro investido na poupança, se tem a segurança de que ele está rendendo 0,5% ao mês e ainda não há incidência de impostos. Você pode resgatar o dinheiro quando achar conveniente e, passando o prazo de 90 dias de carência após a abertura da poupança, não é cobrada a taxa de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), comenta Nogueira.
Além de definir as necessidades de cada investidor, é preciso entender como funciona cada uma das formas de investimento. Segundo o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Luis Carlos Ewald, é preciso analisar quais são as incidências de impostos e taxas de administração cobradas pelos bancos para ver ao final quanto o investimento realmente irá render. ''Ao aplicar nos fundos de renda fixa tem que se ter o cuidado de avaliar as taxas de administração cobradas pelos bancos, que costumam variar entre 0,5% a 4%, lembrando que nesse investimento é pago o imposto de renda. Para quem investe em ações, além das taxas de corretagem cobradas pelas corretoras de valores ainda é acrescentado o pagamento de 15% sobre o valor do resgate de imposto de renda. Sobre os imóveis também são cobrados os impostos habituais como IPTU. Apenas a poupança fica livre da cobrança dos tributos'', alerta Ewald.
Para o docente da FGV, a ordem do momento é economizar, sendo a poupança o meio mais seguro de se obter rendimentos. ''Se você depositar R$ 15 mil na poupança, você obterá um rendimento de R$ 100 mensais. É possível acompanhar seus rendimentos mensalmente e fazer o resgate quando lhe convier'', evidencia. A preocupação em orientar melhor o pequeno e médio investidor motivou o economista, transformado em figura pública após a participação em quadro do programa Fantástico, e publicar o livro ''Sobrou dinheiro? Lições de Economia Doméstica''.

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