O mercado da soja iniciou a semana com nova baixa. A commodity, que chegou a valer US$ 10,30 por bushel no início do mês na bolsa de Chicago, foi cotada ontem a US$ 9,05/bushel. No dia, a baixa foi de 27 pontos. No mercado interno, a queda acumulada nos últimos dez dias é de R$ 10,00 por saca. A mercadoria que atingiu picos de R$ 58,00 por saca no Porto de Paranaguá na primeira semana do mês valia ontem R$ 48,00. As informações são de Seneri Paludo, analista de mercado da Agência Rural.
A explicação para a queda é especulativa. De acordo com o analista, os fundos de investimento começaram a vender contratos depois que o USDA (departamento de agricultura dos Estados Unidos) anunciou que a safra americana vai superar 80 milhões de toneladas de soja. Como o plantio já começou e as lavouras estão em bom estado, os fundos liquidaram posições. ''Mas ainda é muito cedo para falar sobre a produtividade da safra'', considerou.
Ele acredita que os próximos meses serão de muita oscilação de preços, principalmente por causa do clima nos Estados Unidos. A recomendação é que os produtores acompanhem todas as variações do mercado para tomar decisões mais seguras na hora de vender a produção.
A engenheira agrônoma Vânia Guimarães, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade Estadual de São Paulo (USP), acrescentou que alguns boatos sobre uma possível redução de consumo de farelo de soja na China, por causa da gripe do frango, também interferiram nas cotações.
''A China comanda o mercado por parte da demanda e tem sido a responsável pelos preços altos. Uma notícia como essa afeta o mercado'', disse, lembrando que o comportamento futuro dos preços depende da confirmação desta notícia. ''Até agora, a única informação concreta é que 16 ensacadoras chinesas se reuniram para tentar revertar contratos de compra de soja'', afirmou.

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