'Commoditização' prejudica competitividade do Paraná
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sexta-feira, 05 de agosto de 2011
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
Relatório divulgado no mês passado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) aponta que as duas regiões devem crescer 4,7% em 2011, mantendo a recuperação econômica iniciada na segunda metade de 2009, após a crise econômica internacional. O Brasil, de acordo com o documento, cresce 4%.
Ainda não há projeções sobre a taxa de crescimento do Paraná em 2011, mas o diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, assinala que a tendência é que o Estado acompanhe o desempenho brasileiro. No ano passado, enquanto o País cresceu 7,5%, o Paraná atingiu o índice de 8,3%.
No Brasil e, consequentemente no Paraná, o problema desse crescimento é a dependência da exportação de produtos primários com pouco valor agregado - as commodities -, no processo chamado de desindustrialização. ''A exportação de produtos que serão processados em outros países gera menos emprego e renda'', pontua Suzuki.
Na edição de ontem, a FOLHA reportou que as cooperativas do Paraná ocupam o topo do ranking das exportações no País no primeiro semestre. Informações da Federação da Indústria Paranaense (Fiep) revelam que a participação dos produtos básicos no total de exportações do Estado passou de 29,3% em 2006 para 42,21% em 2010. No ano passado, conforme levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), o Paraná exportou US$ 14,18 bilhões, sendo US$ 9,91 bilhões (70%) relativos ao agronegócio. Com relação aos produtos agrícolas, 39% das vendas ao exterior foram do complexo soja, 13,6% do setor sucroalcoleiro, 20,5% de carnes e 11,6% de produtos florestais.
''A Fiep vem há anos identificando este fenômeno e alertando para providências no sentido que as exportações ocorram com produtos de maior valor agregado'', afirmaram os economistas da federação, Maurílio Schmitt e Roberto Zurcher. ''Os problemas não residem apenas no câmbio, mas também na elevada carga tributária e nos problemas de infraestrutura'', completam.
Segundo eles, a indústria local tem que perseguir ganhos de produtividade e ser inovadora para competir não só com produtos importados no mercado brasileiro, mas também com produtos fabricados em outros países, para atingir os mercados nos quais os industriais paranaenses concorrem para colocar sua produção.
Suzuki, do Ipardes, defende que a industrialização de produtos primários poderia ser parcialmente feita no País. A taxa de câmbio que valoriza o Real frente ao dólar, entretanto, inviabiliza esse processo. ''A moeda sobrevalorizada torna o produto brasileiro caro no exterior. Junto com a 'commoditização' da economia, gera perda de competitividade'', explica, acrescentando que o cenário favorece a importação. ''É bom para o comércio, mas muito ruim para o setor industrial'', enfatiza.
Desvalorizar o Real, para o analista, é uma medida necessária porém impopular, porque reduziria o poder de compra da população. A ''encruzilhada'' em que se encontra o Governo Federal exige decisões que mantenham a competitividade do País sem interferir no poder de compra das pessoas em ambiente de inflação controlada. Suzuki avalia que a exportação de produtos primários, a longo prazo, também pode comprometer o crescimento econômico na medida em que a produção gera menos emprego e renda.
No Estudo Econômico 2010-2011, a Cepal adverte que a elevada liquidez internacional pressiona ao mesmo tempo a queda real nas taxas de câmbio e a alta dos preços dos produtos básicos, funcionando como um incentivo para uma especialização intensiva na produção e exportação de bens primários. ''Isto aumenta a vulnerabilidade das economias da região aos choques externos e gera maior volatilidade do investimento, afetando assim de maneira negativa a capacidade de crescer, de gerar emprego produtivo e de diminuir a desigualdade'', diz o documento.


