Commodities terão crescentes riscos em 2006
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quarta-feira, 12 de outubro de 2005
Joao Caminoto<br>Agência Estado 
Londres No curto prazo, céu de brigadeiro. A partir de 2006, crescentes incertezas. Em geral, essa é a previsão dos analistas para os preços das commodities, que vêm apresentando, salvo poucas exceções, um desempenho muito positivo. Para o Brasil e outros países emergentes, cujas exportações nos últimos anos têm sido em grande parte alimentadas pelo boom da demanda por matérias-primas, esse é um assunto de primeira ordem.
No geral os analistas mantêm uma avaliação favorável para os preços das commodities no curto prazo. A economia mundial continua se expandindo num ritmo considerado positivo e a atividade na China continua num ritmo forte. No entanto, as projeções para 2006 em diante são menos alvissareiras, diante da possibilidade do início de uma desaceleração econômica mais acentuada nos Estados Unidos.
Michael Douglas, estrategista-chefe para commodites do Deutsche Bank, afirma que o impacto de uma alta dos juros sobre os preços das commodites obedece a dois estágios distintos. ''O primeiro, quando é iniciado um ciclo de aperto monetário, é positivo para os preços, pois a alta dos juros sinaliza uma aceleração econômica e maior consumo, como vimos nos Estados Unidos'', disse Douglas à Agência Estado.
''Mas o segundo estágio, quando o ciclo de alta dos juros atinge 250 pontos-base, o risco de uma pressão baixista sobre os preços aumenta, pois indica um período de menor atividade econômica.'' Ou seja, diante do aperto monetário promovido até aqui pelo Federal Reserve e a perspectiva de novos aumentos nos juros, o cenário para as commodities pode se tornar mais preocupante. ''O risco de os preços enfraquecerem é maior'', explica Douglas. ''Mas, apesar da alta dos juros de curto prazo, continuamos vendo um mercado com muita liquidez, que não aponta para uma queda dos preços nos próximos meses.''
Para Douglas, o maior risco para as commodities está reservado para 2007. ''Embora continuemos otimistas com o crescimento global para os próximos meses, inclusive no início de 2006, em relação ao médio prazo estamos preocupados com a capacidade da expansão econômica nos Estados Unidos, se ela irá continuar além de 2007'', disse.
Ele explica que essa previsão reflete a constatação de que a duração de todos os períodos de expansão econômica dos Estados Unidos desde 1954 esteve diretamente relacionada ao prazo de estímulo monetário dado pelo Federal Reserve. ''Com base nessa tendência, a atividade econômica nos Estados Unidos deve declinar fortemente a partir de dezembro de 2007'', explicou. ''Isso obviamente teria um impacto muito negativo sobre as commodities.''


