Commodities seguram alta da Bovespa
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Paula Laiere Silvana Rocha<br> Agência Estado 
São Paulo - A definição de uma trajetória ascendente nos pregões em Nova York ontem à tarde, em especial a ampliação das altas na última hora de pregão, ajudou a reduzir drasticamente as perdas na Bovespa. Mas a forte pressão de baixa em razão do declínio no preço das commodities, com o petróleo abaixo dos US$ 70 pela primeira vez desde agosto de 2007, por exemplo, impediu que o Ibovespa fechasse no azul.
O índice brasileiro encerrou em queda de 1,06%, aos 36.441,72 pontos. Apenas na abertura conseguiu sustentar-se em território positivo, quando subiu 1,52%, aos 37.394 pontos, na máxima. Na mínima, chegou perto do limite para que fosse acionado o circuit breaker ao cair 8,36%, para 33.752 pontos. Nesta semana, o Ibovespa ainda acumula variação positiva de 2,34%, mas, no ano, cai 42,96%.
''Não existe mais análise fundamental para operar no mercado. O que manda é o psicológico'', disse um experiente profissional da área de renda variável para explicar o comportamento volátil nas operações hoje. ''O Ibovespa até reagiu no final e quase fechou no azul. Mas foi uma recuperação sem consistência'', complementou outro profissional do mercado.
Em Wall Street, o índice Dow Jones encerrou em 8.979,26 pontos, com valorização de 4,68%. O S&P-500 aumentou 4,25%, para 946,43 pontos. E o Nasdaq Composite ganhou 5,49%, aos 1.717,71 pontos.
No mercado de câmbio, o dólar caiu após servir de refúgio para os investidores e operar em alta na maior parte da sessão por causa da perspectiva de recessão nos Estados Unidos e Europa. O dólar no mercado à vista encerrou em baixa, após subir pela manhã até a máxima de R$ 2,239 (3,42%) no balcão. No final, o pronto caiu 0,16%, a R$ 2,1595 na BM&F, e 0,23%, a R$ 2,160 no balcão. A inversão de sinal no fim da sessão ocorreu em meio a um aumento da oferta de moeda por tesourarias de bancos, assegurada pela injeção de liquidez do Banco Central, e a firme melhora das bolsas norte-americanas.
A queda nos preços do petróleo serviu como argumento para a recuperação em Nova York, o que gerou impulso em ações de setores como serviços públicos, aéreo e matérias-primas. Na Nymex, o contrato para novembro encerrou o dia em queda de 6,29%, a US$ 69,85, pressionado pelo aumento dos estoques nos EUA, que mostrou que a demanda pelo combustível está realmente mais fraca.
Mas se a queda do petróleo ajudou os índices nos EUA, no Brasil o efeito foi contrário, uma vez que o declínio do óleo afeta negativamente as ações da Petrobras - que respondem por cerca de 18% do Ibovespa. Hoje, as ações PN da estatal caíram 7,50% e as ON recuaram 8,67% - liderando as baixas do índice.
Além do petróleo, o decréscimo nos preços de outras commodities, como alguns itens agrícolas e metais, também manteve o pregão local sob pressão. Como lembrou um economista, a pauta de exportações brasileira é quase toda de commodities, ''E as ações com maior peso no índice, junto com os papéis de bancos, são de empresas que têm seus resultados atrelados aos preços desses produtos'', afirmou. E as ações da Vale refletiram isso: queda de 2,13% nas PNA e recuo de 2,50% nas ON.
O setor bancário brasileiro também continuou registrando perdas e alguns papéis figuraram entre as maiores baixas do Ibovespa - Unibanco Unit registrou declínio de 6,12% e representou a quarta maior queda do índice. Na sequência, Itaú PN cedeu 6,09%. Banco do Brasil ON ocupou a sétima posição, com desvalorização de 4,72%. Bradesco PN perdeu 3,83%. Entre as maiores altas, Gol PN subiu 24,32%, seguida por CSN ON (+17,29%) e TIM Participações S.A. PN (+17,22%).


