Há algumas décadas as crises no exterior demoravam a chegar ao Brasil. Com a globalização dos mercados, hoje um ''espirro'' nos Estados Unidos abala países de todos os hemisférios. Alguns países, com economia mais sólida, devem sofrer menos, mas há quase um consenso de que nenhum escapará ileso. O presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, diz estar convicto de que a crise americana não irá afetar as metas de crescimento do Brasil para os próximos anos. Segundo ele, o país conta hoje com pilares estáveis, com alto volume de reservas, hoje na casa dos US$ 200 bilhões.
Mas o momento é para ficar atento a todos os índices. A produção da indústria dos Estados Unidos em setembro teve sua maior queda desde 1974. O recuo foi de 2,8%, bem maior do que o 0,8% esperado por analistas.
No Brasil, o Banco Central anunciou na quinta-feira que relaxou ainda mais as regras de depósito compulsório. Nos Estados Unidos o banco Merrill Lynch, adquirido em setembro pelo Bank of America, anunciou esta semana prejuízo de US$ 14,49 bilhões em 2008 até setembro, sendo US$ 7,47 bilhões no terceiro trimestre, em parte pelas novas amortizações multimilionárias.
O Citigroup teve prejuízo de US$ 2,8 bilhões no terceiro trimestre e US$ 10,4 bilhões no acumulado do ano. O banco anunciou, ainda, 11 mil demissões. O Credit Suisse disse que perdeu cerca de 800 milhões de euros no mesmo período. Diante das dificuldades do setor financeiro, o governo da Suíça decidiu ajudar o maior banco do país, o UBS, e garantir seus depósitos bancários. Já o presidente do banco espanhol Santander afirmou que bancos espanhóis não precisam de intervenção estatal.
Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Martins Ribeiro, pelo que se vê entre os analistas, não há temor, por enquanto, de que as commodities, como produtos agrícolas, vão desvalorizar. ''Neste aspecto, o Brasil poderia aproveitar este momento de crise para se reinventar e conseguir novas oportunidades de mercado para seus produtos'', argumenta Ribeiro. Segundo ele, a outros acabam se expandindo ou encontrando novos negócios.
''O Brasil é um dos líderes em um mercado que só tende a crescer, que é o da produção de alimentos. Com a abertura da China para o mercado e a Índia aumentando sua procura por produtos agrícolas, o Brasil está numa situação privilegiada. Precisamos valorizar a nossa produção agrícola e agregar valor para fortalecer nossas exportações'', explica Ribeiro.
Por outro lado, Ribeiro comenta que toda crise trás lições. E uma das mais duras e que muitos empresários só se lembram quando já resta pouco a fazer, é de que é preciso planejar todas as ações para dar mais segurança aos investimentos. ''Muitos empresários ainda não se deram conta de que é necessário fazer um planejamento plurianual para as empresas. Com planejamento minimiza-se os riscos. E é a melhor forma de não sofrer tanto com as crises do mercado'', alerta Ribeiro.
Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)

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