O fraco desempenho das commodities no ano passado refletiu diretamente no desempenho dos supermercados. No Paraná, o segmento registrou um recuo médio de 1% no faturamento contra uma elevação de 5% no volume comercializado. O lucro total do setor foi de cerca de R$ 7,7 bilhões. No restante do País, os índices praticamente se repetiram: lucro 1,6% menor e vendas 5% maiores. O resultado é explicado pela deflação dos preços puxada por fatores como a gripe aviária, os focos de febre aftosa e a valorização do real frente ao dólar.
Segundo o presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Everton Muffato, o desempenho ruim dos supermercados pode ser explicado por quatro fatores. O primeiro foi a incidência da gripe aviária na Ásia e da febre aftosa no País que fizeram despencar os preços das carnes de frango, de boi e de porco no varejo. Isso ocorreu porque as exportações foram embargadas e houve excesso de oferta no mercado interno, forçando a queda de preços. O segundo fator ocorreu devido aos baixos preços das commodities, como a soja, por exemplo.
''A crise no campo, que baixou os preços das carnes, também contribuiu para uma queda do preço da ração animal e do óleo de soja. No ano passado, o custo do óleo ao consumidor caiu cerca de 15% e o óleo e as carnes, têm um dos maiores fluxos dos supermercados'', comenta Muffato. A desvalorização do dólar também foi responsável pela queda de custo de matérias-primas e de componentes usados na fabricação de embalagens. Este ponto influenciou diretamente a queda dos preços no varejo. Com exemplo ele cita o caso do sabão em pó, que em 2005 chegou a ser vendido por R$ 6,99 o quilo e, no passado, o seu preço de venda não ultrapassou os R$ 6.
''No Paraná a queda só não foi maior porque os consumidores são mais fiéis às marcas tradicionais que, geralmente, têm maior valor agregado'', observa o presidente da Apras. O outro fator apontado é resultado direto da política econômica, que facilitou o excesso de crédito no mercado, principalmente, os empréstimos consignados com desconto em folha de pagamento. ''O nível de endividamento dos brasileiros atingiu o nível mais alto em dez anos e isso também refletiu nas vendas'', comenta.
Otimismo - Para este ano, o setor está mais otimista. A aposta está na retomada do poder de compra dos consumidores e na recuperação de preços dos produtos. ''Não esperamos um aumento exagerado do consumo. A nossa expectativa é de alinhamento entre o faturamento e o volume de vendas'', salienta Muffato. A aposta é na valorização dos preços das commodities, entre elas a soja o que, consequentemente, elevaria o preço do óleo de soja e das carnes.
Além disso, a projeção é que neste ano o dólar se mantenha nos mesmos patamares registrados em 2006, na casa dos R$ 2,20. ''Se o dólar não vai subir, pelo menos, não há espaço para cair mais. Desta forma, os preços não terão mais deflação'', analisa ele. O setor deve continuar investindo na modernização das lojas, treinamento e capacitação de seus funcionários. No Brasil, o segmento estima um crescimento de 3% a 4% no faturamento, com expansão no volume próxima a 5%.

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