Milho preocupa A safra de milho pode recuar 7 milhões de toneladas no próximo ano. Esse número pode eliminar as pretensões do governo de atingir a safra de 100 milhões de toneladas e aumenta as preocupações dos grandes consumidores do produto.
Transferência Após a safra recorde de 41 milhões de toneladas neste ano, e amargar preços baixos, parte dos produtores vão se transferir para a soja, produto que promete boa rentabilidade na próxima safra devido à quebra de produção nos Estados Unidos.
Discussão A mudança de muitos produtores de milho para a soja já é dada como certa pelo mercado. Para evitar uma debandada ainda maior, toda a cadeia de milho esteve reunida ontem em Curitiba. (Veja matéria principal nesta página).
Quebra esperada Richardson de Souza, diretor do Deral, diz que a redução de área será de 15% a 20% no plantio de milho. O pior, segundo ele, é que saem os produtores com maior tecnologia, aumentando ainda mais a queda de produção.
O que fazer Os participantes do mercado vêem duas saídas para o milho. Primeiro, mais crédito, o que inclui mais financiamentos para o produtor, e o lançamento urgente de contratos de opção, para estimular a produção.
União do setor Segundo, a quebra de produção interessa, e muito, aos consumidores. Eles voltam a se reunir quarta-feira para buscar soluções. Afinal, queda de produção significa importações. Se tivesse que ser importada agora, a saca de milho estaria custando de R$ 17 a R$ 18.
Mês crítico Nas últimas duas safras de soja nos Estados Unidos, agosto foi um mês decisivo para a produção. Em ambos houve seca e piora nas condições das lavouras, provocando quebra de safra, diz Fernando Muraro Jr., da Agência Rural, de Curitiba.
Está ruim O cenário não está bom também neste ano. Ontem o Usda divulgou que a situação das lavouras voltou a piorar e apenas 55% da soja está com condições ‘‘boas’’ e ‘‘excelentes’’ - a menor taxa desde 1993. Uma coisa é certa, diz Muraro: a produção não atingirá as 44,3 sacas por hectare previstas atualmente.
Pouca oferta A redução de oferta de boi gordo para abate em São Paulo provocou reajuste de R$ 0,50 nos preços. Hoje, os frigoríficos chegaram a pagar R$ 42,50 por arroba em algumas regiões do Estado.
Ritmo menor Os produtores paulistas continuam recebendo mais por seus produtos, mas o ritmo de alta já é menos intenso. Na terceira quadrissemana de julho, o aumento foi de 1,94%, segundo o IEA, abaixo dos 2,97% de junho.
Gangorra Fortes oscilações de preços são a constante do mercado nos últimos dias. A soja, com os anunciados problemas na lavoura nos EUA, voltou a subir ontem em Chicago, enquanto o suco de laranja despencou em Nova York. (Agência Folha/Vaivém das Commodities).

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