Difícil sustentar Os preços da carne suína pagos aos produtores estão em bom patamar, mas o cenário para os próximos meses não parece otimista. Farelo de soja e milho estão em alta - o que eleva os custos -, e as indústrias têm dificuldade em repassar os derivados de carne suína para o mercado.
Excesso Oscar José Gizzi, diretor comercial da Aurora, diz que o problema é o volume de produto no mercado. Os fechamentos dos mercados da Rússia, agora reaberto, e da China provocaram o abastecimento de carne acima do normal no mercado interno.
Oferta maior Com maior oferta, a redução da margem de lucro ficou com o setor industrial, que paga de R$ 1,40 a R$ 1,50 por quilo de carne suína. Apesar de todo o custo industrial, a salsicha, a mortadela e o toucinho são colocados no mercado com valores inferiores àqueles, diz Gizzi.
A saída José Zeferino Pedrozo, diretor de suprimentos da Aurora, diz que a saída é o acerto dos problemas sanitários entre China e Brasil e a volta da Rússia ao mercado. No caso russo, há um excesso de produto por lá, já que as encomendas que estavam nos portos brasileiros foram encaminhadas de uma só vez após a liberação das exportações.
Trilha do dólar O preço externo do café não é dos melhores no momento, mas a alta do dólar deu uma forcinha. Com isso, houve aumento das exportações brasileiras.
Melhor que segurar Diz um analista que o setor de café está saindo de uma safra pequena, mas com armazéns lotados e sem financiamento. Os próximos meses podem ser piores do que os atuais.
Mudança de clima As chuvas não devem ocorrer, e os preços da soja voltaram a subir fortemente ontem em Chicago. Pelos dados do Usda, 57% da lavoura está em condições de boa a excelente. No ano passado, o percentual era de 66%.
Sem preocupação A piora das condições da lavoura norte-americana garante bons preços aos produtores brasileiros, mesmo que o dólar caia, diz o cerealista e exportador José Pitoli. Com o dólar a R$ 2,45, a soja seria negociada de R$ 24 a R$ 26 por saca no mercado interno brasileiro.
Sem influência Neste semestre, os preços internos da soja vão se descolar dos de Chicago, diz Pitoli. Restam apenas 6 milhões de toneladas de produto para serem negociados no mercado interno até março do próximo ano, quando começará a nova safra.

mockup