Comitiva vai pedir gasoduto a Britto
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sexta-feira, 30 de outubro de 1998
Cláudia Lopes 
O senador Osmar Dias (PSDB) e o prefeito Antonio Belinati (sem partido) vão agendar uma audiência com o ministro das Minas e Energia, Raimundo Britto, para levar a proposta de extensão de um ramal do Gasoduto Bolívia-Brasil, ligando Bauru (SP) a Londrina. A audiência deve acontecer em novembro, em Brasília, e reunirá, além de lideranças do Norte do Estado, o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB). Políticos e empresários da região participaram de uma reunião ontem, em Londrina, a fim de unir forças para brigar pela construção do ramal e para tentar trazer uma termoelétrica para o Norte do Paraná.
A comitiva londrinense também pretende se reunir, no mês que vem, com diretores da TBG - Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil S/A, que é a subsidiária da Petrobrás responsável pelo gasoduto. Queremos que a empresa construa o ramal, afirmou Osmar Dias.
O gerente da divisão sul da
TBG, Arno Duarte Filho, disse ontem à Folha, por telefone, que a empresa tem interesse na construção do ramal, desde que seja comprovada demanda regional suficiente. Para justificar o investimento, seria necessário demanda entre 1 milhão e 3 milhãos/dia ao longo do duto, segundo Duarte.
A região Norte do Paraná tem atualmente uma demanda diária de 642 mil metros cúbicos, além de uma previsão de mais 190 mil metros cúbicos caso duas indústrias de química fina confirmem a instalação em Maringá, revelou o senador, que disse se basear em dados da Petrobrás. Já temos a demanda necessária para convencer a empresa responsável pela obra, afirmou Osmar Dias.
Arno Duarte Filho, da TBG, disse ontem à Folha que, apesar de uma demanda de cerca de 800 mil metros cúbicos/dia ter que passar pelo crivo dos sócios da empresa, o número já aproxima da realidade um duto para a região.
Duarte calcula que, para trazer um ramal de Bauru a Londrina - uma distância de aproximadamente 300 quilômetros - sejam gastos entre US$ 200 milhões e US$ 250 milhões. Cada quilômetro do ramal custa cerca de US$ 700 mil, afirmou ele. Na reunião de ontem em Londrina, a informação ventilada por lideranças locais previa um custo bem menor, de US$ 70 milhões. O duto não custará tão barato, garantiu o gerente da TBG, explicando que o preço irá variar de acordo com a topografia do terreno e da tecnologia utilizada.
Segundo a TBG, para construir os 2.600 quilômetros totais do gasoduto Bolívia-Brasil, serão investidos US$ 1,7 bilhão. Na próxima terça-feira, deverá ser votado no Senado, em Brasília, o projeto da Presidência da República, cujo relator é o senador Osmar Dias, que autoriza a contratação de empréstimos no valor de US$ 60 milhões do BIRD. Do total do investimento do gasoduto, já temos US$ 780 milhões empenhados, afirmou o senador.
No projeto original, o gasoduto Bolívia-Brasil passa por 71 municípios de São Paulo, 27 de Santa Catarina, 13 do Rio Grande do Sul e apenas três do Paraná, reclamou Dias. O ramal significará justiça ao Paraná, que é um grande fornecedor de energia elétrica para o resto do País. Este é um dos nossos principais argumentos.
Segundo Osmar Dias, as lideranças do Norte do Estado estão entrando tarde na discussão sobre o gasoduto, que começou a ser projetado pela Petrobrás há cinco anos. Estamos atrasados mas acredito que ainda poderemos conseguir o ramal. Também precisamos tentar atrair agora o gasoduto da Argentina, cujo traçado ainda não foi definido, disse ele. O fato do gasoduto Bolívia-Brasil não contemplar a região afasta a possibilidade de atrair novas indústrias. Por não ser poluente, o gás tem sido exigência no mercado internacional. Se tivermos um ramal, vamos agregar valor à nossa produção.
Para o prefeito Antonio Belinati, o momento é de união de forças. O gás é muito importante no processo de industrialização da região, disse ele. Belinati afirmou que a extensão do ramal até Londrina já conta com o apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso e do vice-presidente, Marco Maciel.


