Empresas ligadas ao setor da construção civil, como construtoras e produtoras de materiais, por exemplo, serão obrigadas a ter certificados de qualidade para participar de concorrências públicas. Essa é a idéia do Comitê Nacional de Desenvolvimento Tecnológico (CTECH) que foi instalado ontem pelo ministro do Planejamento, Antônio Kandir, e é formado por 14 representantes de órgãos dos setores público e privado.
‘‘Não temos mais como tolerar casos como o do Palace II’’, afirmou Kandir, referindo-se ao desabamento do prédio da construtora Sersan, no Rio. A idéia do CTECH, é levar o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade (PBPQ) ao setor da construção e, a médio prazo, montar um ranking nacional das empresas. ‘‘O consumidor saberá qual é a empresa A, B ou C’’, afirmou o diretor de Política Urbana da Secretaria de Política Urbana do Ministério do Planejamento, Edsom Ortega.
Só terão ranking, no entanto, as empresas que seguirem as normas de órgãos competentes, como o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que participam do comitê. Ortega acredita que, a médio prazo, as exigências feitas pelo setor público também ocorrerão no privado, o que obrigará as empresas a se enquadrar nas normas. ‘‘Se isso estivesse em vigor, algumas empresas não estariam no mercado’’, afirmou. Sem querer citar nomes, ele admitiu que a construtora Sersan, do deputado Sérgio Naya, estaria entre as excluídas.
Segundo Ortega, ‘‘hoje 70% das patologias da construção civil’’, ou seja, os problemas ocorridos no setor, são decorrentes de problemas nos projetos. O que resulta, também, numa das maiores fontes de desperdício na construção. ‘‘Todo mundo acha que as perdas estão nos tijolos quebrados, mas há casos de paredes inteiras que são derrubadas por problemas’’, explicou.
Para evitar problemas desse tipo, o CTECH também discutirá com universidades como melhorar todo os cursos ligados ao setor da construção civil, inclusive com mudança de currículo, por exemplo.
A primeira reunião do CTECH foi marcada para o próximo dia 15 de abril e Ortega destaca que, todo o trabalho será paulatino. ‘‘Vamos montar um cronograma e decidir as ações de curto prazo’’. Dentre estas, estão as montagens de um sistema de comunicação com abrangência nacional e da estrutura de programas regionais de formação de qualidade de mão-de-mão.

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