Curitiba – Representantes do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) participam hoje pela manhã da reunião do Comitê Nacional dos Trabalhadores da Volkswagen, em São Bernardo do Campo (SP). Os funcionários da empresa no Brasil estão apreensivos, devido às notícias de uma demissão em massa. Estimativas apontam que apenas na unidade de São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) seriam aproximadamente 1,4 mil demissões.
  Ontem, representantes do SMC iriam se reunir com diretores da montadora, mas o compromisso foi cancelado. Segundo o sindicato, a empresa não permitiu a entrada de Mário Lobo, presidente do Conselho Estadual de Política Automotiva. Os sindicalistas apontaram que o objetivo da reunião de hoje em São Bernardo do Campo é definir estratégias de mobilização.
  As possíveis demissões na Volkswagen fariam parte da segunda fase do plano de reestruturação, iniciado em 2003, com o objetivo de cortar curtos. Segundo especialistas, a empresa tem prejuízo no País há oito anos. Sindicalistas do ABC estimaram que haverá 5,4 mil demissões na empresa no Brasil até 2008. A montadora não confirmou a estimativa.
  Incentivos Quando a Volkswagen/Audi se instalou em São José dos Pinhais, em 1999, recebeu uma série de incentivos do governo Jaime Lerner, como o terreno a preço subsidiado e obras de infra-estrutura - redes de acesso de energia, telecomunicações, rede rodoviária, que totalizaram entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões.
  Além disso, a montadora recebeu dilação de prazo para pagamento de Imposto sobre Mercadorias e Serviços (ICMS) por 48 meses e mais quatro anos para pagar a partir da quitação da primeira parcela. A companhia ainda teve prorrogação adicional de pagamento deste tributo, que foi concedida no final do governo Lerner como uma forma de compensação de uma série de incentivos acordados inicialmente que foi impossível conceder em função da Lei de Responsabilidade Fiscal.
  Segundo Gilmar Mendes Lourenço, coordenador do curso de Economia do Centro Universitário Franciscano do Paraná (UniFae) e autor do livro ‘‘A Economia Paranaense em Tempos de Globalização’’, a empresa vai começar a pagar a parte mais pesada de ICMS só entre 2014 e 2016 e ainda tem quatro anos para quitar este débito.
  Segundo ele, a montadora recolhe, desde 2003, 25% do ICMS porque é a parcela que vai para o Fundo de Participação dos Municípios. Caso a fábrica seja fechada no Paraná, o valor devido de ICMS terá que ser pago à vista. A benesse do ICMS também foi concedida para a montadora Chrysler, que fechou as portas em Campo Largo no ano de 2000 e demitiu 450 funcionários.
  ‘‘Cada fábrica nova que a Volkswagen instala está no top de tecnologia’’, disse. Por este motivo, ele acredita que seja fechada alguma unidade de São Paulo. Além da fábrica de São José dos Pinhais, a montadora mantém as unidades de Taubaté (SP), São Bernardo do Campo, de caminhões em Rezende (RJ) e de motores em São Carlos (SP). Mas, segundo Lourenço, nada impede que a Volks desative uma linha de produção em São José dos Pinhais.

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