Mostrar que o Banestado é rentável e que todos os paranaenses precisam opinar em plebiscito sobre a privatização ou não do banco. Esses foram os principais objetivos apresentados ontem durante o lançamento da cartilha ‘‘Banestado, banco público’’, pelo Comitê de Defesa do Banestado. Junto com a cartilha estão sendo distribuídas listas para um abaixo-assinado contra a transferência do banco para a iniciativa privada.
O objetivo do Comitê é conseguir pelo menos 100 mil assinaturas até dia 15 para apresentá-las como proposta popular para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado. Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana, José Daniel Farias, informações oficiais mostram que o Banestado é rentável. ‘‘Só deu prejuízo no governo Lerner. Parece que as últimas gestões foram destinadas a quebrar o banco e justificar a venda.’’
Daniel Farias diz que só em Curitiba mais de 20 mil pessoas já assinaram as listas. ‘‘Juntando com o interior do Estado, devemos estar ultrapassando as 50 mil assinaturas’’. As cartilhas e as listas de assinaturas estão sendo distribuídas a todas as câmaras municipais, associações comerciais e sindicatos do Estado.
Assessores do secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, confirmaram que está mantida a previsão de leilão do Banestado para o mês de outubro, apesar de o presidente do banco, Reinhold Stephanes, defender a venda somente após o leilão do Banespa.
Os números apresentados pelo governo como justificativa da venda foram debatidos ontem pelos integrantes do Comitê. De acordo com Daniel Farias, apenas duas operações temerárias geraram um prejuízo quase duas vezes maior que o preço esperado de venda do banco. ‘‘Foi autorizada a emissão de debêntures que somam prejuízos de R$ 550 milhões à Banestado Leasing e a compra de precatórios que não serão recuperados e que chegam a R$ 350 milhões’’, explica. ‘‘Nesses dois casos os danos causados ao banco somam R$ 900 milhões enquanto o valor de venda deverá ficar próximo dos R$ 500 milhões.’’
Pior do que isso, para o sindicalista, é que no processo de saneamento do Banestado o governo do Paraná teve que se endividar em mais de R$ 5,1 bilhões. ‘‘O contribuinte paranaense terá que ficar com o mico de R$ 80 milhões por mês pelas próximas duas décadas.’’

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