Duas comissões - uma formada pelo Ministério da Agricultura (Mapa) e outra pelo Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Paraná (Fundepec) - devem iniciar até o final desta semana uma avaliação, para fins de indenização, nos animais da Fazenda Cachoeira, de propriedade do pecuarista André Carioba, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio). A informação foi confirmada ontem pela assessoria de imprensa do superintendente do Mapa no Paraná, Valmir Kowalewski de Souza.
A comissão do Mapa é formada por três técnicos (um da cadeia produtiva, um da Seab e outro do próprio Mapa) e a do Fundepec terá dois membros indicados pelas entidades que integram o fundo e que atuam na área bovina. As duas comissões vão trabalhar em conjunto.
Segundo o consultor da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Alexandre Jacewicz, o objetivo das comissões é avaliar os animais e acompanhar o sacrifício para que tudo transcorra dentro da legalidade. ''Porém há uma série de etapas a serem vencidas. Uma delas é a questão da fazenda estar sub-júdice. Enquanto tiver esta pendência judicial, não há como as comissões atuar'', afirmou o consultor. Por outro lado, a assessoria da superintendência do Mapa informou que a comissão do ministério começa a atuar até o final de semana, independente de pendência judicial.
Em caso de sacrifício sanitário, dois terços do valor da indenização são pagos pelo governo federal e um terço pelo Estado. A parte que cabe ao Estado é custeada pelo Fundepec, que tem um caixa de R$ 14 milhões. Na avaliação de André Carioba Filho, da Fazenda Cachoeira, essa avaliação já deveria ter sido feita. ''A liminar só impede o sacrifício e o abate dos bovinos, não impede que a avaliação seja feita'', salienta.
Ele disse que participou de uma reunião em Curitiba na semana passada com membros da cadeia produtiva da carne e que somente ficou definido que os animais passariam por uma avaliação. Esse trabalho poderá ser feito através de uma análise visual dos bovinos e da pesagem dos animais. Ele disse que não aceita a condição de foco da doença e que o sacrifício dos animais não ficou acertado.
''O problema não é a indenização porque acredito que tudo tem o seu valor e até um dano moral pode ser mensurado, mas não vou aceitar coisa que não existe'', comentou Carioba. Ele disse ainda que preferiria não sacrificar os bovinos porque terá dificuldades para fazer a limpeza sanitária, processo posterior ao sacrifício dos animais, uma vez que o confinamento bovino deste ano deveria estar no início. (Vera Barão e Fernanda Mazzini)

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