Comissão quer prazo menor para embargo da aftosa
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quinta-feira, 09 de fevereiro de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara Federal irá tentar um acordo com a Organização de Saúde Animal (OIE). Caso a incidência da febre aftosa não seja efetivamente provada no Paraná, os deputados irão propor à OIE que reduza o prazo de seis meses para limpeza sanitária após o sacrifício dos 1.795 bovinos da Fazenda Cachoeira. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) considera a propriedade, localizada em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), foco de aftosa desde o início de dezembro. Há rumores da existência de outros focos no Estado, mas o ministério não confirma.
Pelas normas atuais da OIE, o Estado terá que desenvolver ações de vigilância epidemiológica do rebanho para retomar o status de área livre de febre aftosa. Deverá ser feita vacinação de reforço e exames sorológicos para demonstração da ausência de circulação viral na região do foco. Se forem tomadas todas essas medidas juntamente com o sacrifício sanitário do rebanho, o prazo para que o Estado retome o status de área livre de aftosa é de seis meses. Se as carcaças dos animais não forem destruídas, o prazo para voltar ao antigo status é de 18 meses.
A negociação com a OIE será baseada no relatório da comissão federal. Os deputados pediram oficialmente ao Mapa e à Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento que recolham o líquido esofágico-faríngeo (LEF) de todos os bovinos abatidos. Esse material será usado para fazer o exame Probang, que isola o vírus da aftosa e, portanto, prova a incidência da doença. A confirmação do foco da doença foi baseada em exames de sorologia, que apresentaram reação positiva, e na vinculação epidemiológica, uma vez que os animais foram trazidos do Mato Grosso do Sul - região onde foram constatados os primeiros focos da doença.
Todos os diagnósticos de Probang apresentados até agora pelo Mapa são negativos. Inclusive, 143 laudos de bois da Cachoeira foram juntados ao processo judicial que impede o sacrifício do rebanho. ''Os exames apresentados pelo ministério (Mapa) não são conclusivos para aftosa. Pretendemos fazer uma argumentação técnica com a OIE'', afirma o deputado Abelardo Lupion (PFL), presidente da comissão federal. Segundo ele, essa negociação poderá ser intermediada pelos ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores, junto à OIE e à Panaftosa (organização internacional que monitora a febre aftosa na América Latina).
De acordo com o deputado, já foram registrados casos em que a OIE reduziu o prazo de limpeza sanitária em países onde não foi efetivamente provada a incidência da doença. Lupion avisa que se os bovinos forem abatidos e a incidência da doença não for provada, os responsáveis poderão responder por crime de improbidade administrativa.''O veterinário que assinar o laudo do abate, caso seja feito indevidamente, também poderá responder por crime de responsabilidade'', alerta o deputado.


