Curitiba - O Conselho de Política Automotiva (CPA) realizou ontem uma vistoria na fábrica da Audi/Volkswagen, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Formado por representantes da Secretaria Estadual de Saúde, do Ministério do Trabalho, da Delegacia Regional do Trabalho, do INSS e do Sindicato dos Metalúrgicos, a CPA pretende averiguar as condições de segurança nas montadoras instaladas no Estado. Representantes da comissão irão vistoriar ainda esta semana a Renault e a Volvo.
A série de vistorias foi determinada pelo governo estadual após denúncias de um crescimento no número de acidentes de trabalho e nos casos de Lesão por Esforço Repetitivo (LER) registrados nas montadoras.
O diretor do centro estadual de saúde do trabalhador, Cezar Benoliel, destacou que as vistorias são apenas um início de um trabalho que tem que ser realizado a longo prazo. ''Não se consegue apurar os motivos que causam a LER em apenas uma visita. Esse é um processo que deve levar pelo menos seis meses. Mas apenas a presença do Estado nas empresas já sinalizam ao trabalhador que existe uma preocupação com a situação deles, e irá reforçar a atuação das comissões de prevenção de acidentes nas montadoras'', destacou.
Benoliel ressaltou a necessidade de uma fiscalização maior das fábricas. ''Quando as empresas se instalam, todos comemoram apenas a quantidade de empregos que será gerada. Apesar de isso ser benéfico, temos que ver também como será a rotina de trabalho e quais danos isso pode causar ao trabalhador'', lembrou Benoliel.
O modo como as vistorias foram conduzidas foi questionado pelo presidente da Associação de Defesa dos Lesionados no Trabalho (ADLT), Paulo Coelho. ''Em primeiro lugar, a presença da ADLT nas vistorias foi vetada. É óbvio que durante uma visita agendada, o ritmo da linha de produção será diminuído e tudo vai parecer estar às mil maravilhas'', criticou Coelho.
Benoliel ressaltou que a proibição da ADLT deveu-se a uma questão institucional. ''Participou da vistoria quem tem poderes para fiscalizar e cobrar das empresas, que no caso são os organismos estatais. Mas a ADLT está participando do processo, tanto que na reunião quando se estabeleceram as vistorias eles enviaram um representante'', argumentou.
A ADLT já havia denunciado no início do mês problemas na emissão de laudos médicos aos trabalhadores de montadoras. Segundo a associação, os médicos estariam dando alta aos trabalhadores antes da cura total das lesões, e as montadoras estariam demitindo funcionários quando eles apresentam os primeiros sintomas de doenças relacionadas ao trabalho.

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