Comissão é contra doação de terreno para a X-5
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Nelson Bortolin e Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A Comissão de Justiça da Câmara Municipal aprovou ontem parecer contrário ao projeto de lei 235/13, que doa um terreno de 2,9 mil metros quadrados, localizado na Avenida Waldemar Spranger, no Vale do Reno (zona sul), para a empresa X-5 Tecnologia. Entre as razões apontadas pela comissão está o fato de se tratar de área de Serviço Público Local (SPL), que não poderia receber o empreendimento.
Os integrantes do grupo, Gustavo Richa (presidente), Lenir de Assis e Emanoel Gomes, também alegam que a proposta de doar a área teria "furado a fila". Isso porque a empresa foi criada em 25 de julho deste ano e que, 15 dias depois, a Comissão Especial de Planejamento, Implantação e Acompanhamento Industrial de Londrina já havia aprovado a doação. De acordo com a comissão, a lei municipal de incentivo às empresas (5.669) diz que a os pedidos de área devem ser analisados em ordem cronológica.
Outra alegação da comissão é que o capital social da empresa é descrito como de R$ 100, "não demonstrando o equilíbrio econômico financeiro do empreendimento conforme prevê a lei". Por último, diz não haver documento comprovando a transferência da X-5 para Londrina.
O presidente da empresa, Paulo Pereira, vai à sessão da Câmara hoje explicar o empreendimento. O diretor técnico, Erlon Oliveira, visitou ontem a FOLHA. Segundo ele, a X-5 é uma subsidiária do grupo Xangô uma holding de empresas startups com capital social de R$ 26 milhões. O site da X-5 ainda está em construção e o da Xangô relata três empresas como suas subsidiárias: A PSafe, que desenvolve ferramentas de segurança para a internet, a passeidireto.com, que oferece aplicativos para facilitar a vida acadêmica dos universitários, e a ClikTrue, cuja função é desenvolver ferramentas para agências de mídia. "Só a PSafe recebeu recentemente US$ 30 milhões de investimento de uma empresa chinesa", alega.
Segundo o diretor, a X-5 foi criada para explorar o mercado de data centers certificados. "Hoje, existem no País somente sete empresas deste tipo, cinco em São Paulo, uma no Rio de Janeiro e uma em Belo Horizonte. Achamos que há muito espaço para crescer nesse mercado. E nosso objetivo é criar dez data centers no total. Escolhemos Londrina para o primeiro", afirma.
De acordo com ele, os fundos de previdência dos Estados Unidos Redpoint, E-venture, Pinnacle, e Intel Capital (braço financeiro da fábrica de processadores) garantem US$ 25 milhões para a X-5, mas o dinheiro será repassado conforme a empresa iniciar suas atividades. "Esse é o conceito de green field (campos verde em inglês), empresa que nasce do chão, muito comum nos Estados Unidos", alega.
A escolha do terreno na Waldemar Stranger, conforme afirma o diretor, se deve à existência de uma subestação da Copel a 200 metros de distância. "Energia elétrica será fundamental no nosso negócio", alega. Oliveira confirma que a empresa tem sede em Florianópolis, mas que será transferida para Londrina assim que houver a doação do terreno. Caso isso não ocorra, será implantada na capital catarinense, onde a Xangô já mantém uma unidade.
O presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Bruno Veronesi, afirma que a construção do data center da X-5 em Londrina é de grande importância para atrair outros empreendimentos de tecnologia, por ser o primeiro investimento com aporte da Intel fora do eixo Rio-São Paulo. "Entendemos que o direito da Câmara de fiscalizar é legítimo, mas, se a empresa não cumprir o que está na lei de doação, o terreno volta para a Prefeitura."


