Uma comissão criada pelo Congresso deverá ir ao Canadá ainda este mês com objetivo de tentar convencer as autoridades daquele país de que a carne brasileira não está contaminada pela doença da vaca louca. O presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), designou hoje (8) os senadores Iris Rezende (PMDB-GO), Jonas Pinheiro (PFL-MT) e Osmar Dias (PSDB-PR), além dos deputados Fernando Gabeira (PV-RJ), Rubens Furlan (PPS-SP) e Luiz Carlos Hauly, (PSDB-PR) para integrarem a comissão.
Segundo o documento assinado por ACM, a comissão, cuja a criação foi uma sugestão apresentada ontem pelo deputado Fernando Gabeira, vai ao Canadá para entrar em entendimento com parlamentares canadenses, em especial os da comissão de relações exteriores, para ‘‘explicar melhor, no parlamento canadense, a situação na área pecuária e para dizer à opinião pública canadense que não existe a doença da vaca louca no Brasil e que os negócios brasileiros não podem ser prejudicados’’.
Carta incrimina O governo do Canadá está se valendo de uma carta enviada em 14 de junho de 1998 à Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAA) para justificar a suspensão da compra de carne bovina brasileira. O conselheiro político e encarregado de negócios da Embaixada do Canadá, José Herran-Lima, disse ontem que a decisão tomada no início deste mês é parte de um processo que vinha se arrastando há 30 meses.
‘‘Entreguei cópia deste documento aos deputados que tiveram ontem (7) na embaixada’’, justificou. Porém, a posição do Canadá foi atacada pelo deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), integrante da bancada ruralista no Congresso Nacional. Caiado explicou que este documento não serve de defesa do Canadá, já que não foi protocolado no ministério.
‘‘O documento não foi protocolado e, por este motivo, não existe’’, afirmou. ‘‘Vocês não podem cair no jogo do Canadá. Eles estão querendo justificar aquilo que não tem defesa.’’
Trigo e sêmen O presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), Benedicto Fonseca, defendeu ontem ações imediatas de retaliação do Brasil ao Canadá. Segundo ele, as recentes sanções comerciais dos canadenses contra o País ‘‘são uma barbaridade’’.
Fonseca sugeriu que o governo suspenda imediatamente a importação de algum produto canadense, como o trigo ou sêmen bovino, e até mesmo que levante suspeitas no mercado internacional sobre a saúde do gado daquele país. O argumento é de que o rebanho canadense alimenta-se de ração animal e, portanto, pode apresentar o mal da vaca louca.
Consumo interno Comprar carne praticamente todos os dias continua sendo um hábito do brasileiro mesmo após a suspensão da importação do produto pelo Canadá, sob alegação de risco de contaminação pela doença da ‘‘vaca louca’’, afirma o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Carne Fresca (SCVCFE-SP), Manuel Ramos.
Na guerra comercial entre Brasil e Canadá, o consumidor final ainda pode ser beneficiado. A expectativa é que nos próximos dias seja possível comprar carne por um preço menor, avalia o vice-presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Sussumu Honda.

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