Comissão denuncia usinas por violação de direitos trabalhistas
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segunda-feira, 01 de abril de 2002
Erika Wandembruck<br>Equipe da Folha 
Curitiba A Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Rede de Advogados e Advogadas Populares (Renap) protocolaram ontem representação no Ministério Público do Trabalho, em Curitiba, contra as usinas Vale do Ivaí S/A, Ivaícana Agropecuária Ltda, Usina Sabarálcool e Agropecuária Candyba Ltda, todas com sede na região do Vale do Ivaí, no Noroeste do Estado. A denúncia é de violação dos direitos trabalhistas de mais de 2,5 mil trabalhadores rurais.
No caso da Usina Sabará e da Agropecuária Candyba, pertencentes ao mesmo grupo e localizadas em Engenheiro Beltrão, foram apontadas irregularidades como a falta do depósito do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), atraso e fraude no pagamento de salários, 13º e férias, conforme relatou o advogado da Renap, Avanilson Araújo.
De acordo com Araújo, o pagamento dos salários dos funcionários da Sabará era feito com cheques pré-datados que ao serem descontados não tinham fundos. Para se ter uma idéia, nem o comércio aceita mais os cheques da usina. Ele disse que anexou os cheques sem fundos à representação enviada ao MP, para que o órgão tome providências tanto administrativamente como penalmente.
Contra a Usina Vale do Ivaí e Ivaícana, também pertecentes ao mesmo grupo e cujas sedes ficam em São Pedro do Ivaí, pesam as denúncias de demissões sem justa causa e perseguição o que estaria dificultando a inserção de trabalhadores que no passado moveram ações contra as empresas no mercado de trabalho.
Na Vale do Ivaí também foram registrados acidentes de trabalho, por conta da falta da utilização de equipamentos de segurança, além do uso indiscriminado de agrotóxicos, o que tem provocado prejuízo tanto à saúde quanto às finanças dos produtores da região, contou o padre Zenildo Megiatto, da paróquia daquele município que encaminhou denúncia à CPT e será arrolado como testemunha no processo.
As usinas se dizem inocentes. Procurados pela Folha, seus advogados e representantes afirmaram que as acusações são infundadas e que estão tranquilos porque são fiéis cumpridores da legislação trabalhista. Eles confirmaram o pagamento dos funcionários com cheques, porém, negaram a falta de provisão de recursos para a cobertura dos mesmos. As usinas afirmaram ainda que parcelaram o repasse do FGTS, respeitando os limites legais.


