Vânia Casado
De Curitiba
A comissão de inquérito constituída pelo Ministério da Agricultura para apurar denúncias de extorsão por parte de funcionários da delegacia regional do ministério no Paraná iniciou, ontem, os primeiros depoimentos. Foram ouvidos o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap), Alceu Claro Chaves, e mais três diretores da associação.
Os depoimentos foram acompanhados por Elias Mattar Assad, advogado de Lizuardo Delgado, chefe do escritório do Serviço de Vigilancia Agropecuária em Paranaguá, principal acusado de tentativa de extorsão. Chaves repetiu perante a comissão de inquérito todas as denúncias gravadas em fitas e entregues à Polícia Federal e no gabinete do ministro da Agricultura em Brasília.
Segundo Chaves, Delgado tentou extorquir R$ 40.000,00 por mês para manter o contrato que permitia à Aciap pagar o salário de seis funcionários que emitiam os certificados fitossanitários para exportação e importação de produtos. Na fita, Delgado afirma que a iniciativa tinha o consentimento do delegado regional Mário Bezerra Guimarães, ambos afastados de suas funções.
O advogado de Assad ouviu os depoimentos e disse que seu cliente ‘‘deu corda’’ ao empresário para saber até onde ele iria com a proposta de manter os funcionários em situação irregular’’. Assad afirmou que no momento que Chaves concordasse com a propina, Delgado iria levá-lo até à PF. Chaves disse que não se incomoda com essa reversão de papéis e que está tranquilo em relação à sua denúncia.
Assad disse que se a situação dos funcionários fosse regular por que Chaves não recorreu à PF ou à Justiça para fazer a escuta de forma legal? perguntou. Chaves propôs ao ministério fazer um acordo de cooperação com a Aciap para legalizar de vez a situação dos funcionários, cujo trabalho agiliza as operações de importação e exportação de produtos.

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