Comida terá preços baixos em 2005
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domingo, 02 de janeiro de 2005
Reportagem Local 
Alimentos baratos. Se depender da agricultura e da pecuária, este é um dos pontos positivos do abastecimento em 2005. O Brasil terá uma safra recorde de grãos, prevê o Ministério da Agricultura (Mapa). Há indicadores de crescimento do setor de proteínas animais, com expectativa de expansão da oferta de frangos, entre e 6% e 8%. Para o setor de suínos um crescimento menor, 4%. O crescimento da produção de carne bovina, subestimado, também deve ficar em torno disso.
Oferta maior, preço menor, alimentos mais acessíveis. É o que sugere documento da Confederação Nacional da Agricltura (CNA). As projeções são do ''Balanço de 2004 e Perspectivas para 2005''. O bom desempenho da agricultura vai beneficiar toda a população.
Os dados preliminares apontam a reedição do bom comportamento em 2004. O preço da alimentação, conforme o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (IPC-Fipe), caiu quase 2% entre janeiro e novembro de 2004, em termos reais.
O cenário, que deve se confirmar, é bom para o abastecimento e para a economia dos consumidores mas não é bom para a agricultura. Como no ano passado, a expectativa é de preços baixos para a maioria dos produtos tanto no mercado interno como no mercado mundial.
Em dois 2004 a agricultura foi o setor que gerou maior número de empregos; foi o que garantiu maior entrada de dólares para o País, e ainda garantiu alimentação farta. Mas a agricultura mesmo não foi bem. O Produto Interno Bruto (PIB) da atividade agropecuária apresentou crescimento de apenas 3% no ano, frente a uma expansão estimada em 4,5% para o conjunto da economia.
Esses percentuais mostram que a atividade rural brasileira enfrentou dificuldades, interrompendo uma tendência de crescimento que vinha sendo superior à média geral. Em 2003, por exemplo, a realidade foi bem diferente: O PIB da agropecuária cresceu 6,54% enquanto o PIB total apresentou incremento de apenas 0,5%.
Para as commodities agrícolas, além da boa produção interna, concorre a super-safra nos Estados Unidos que já começou a derrubar os preços. Segundo prognóstico da CNA, nem mesmo o aumento da próxima safra brasileira, estimada em 128,8 milhões de toneladas frente aos 119,2 milhões de t do ano agrícola 2003/04, deverá compensar a queda dos preços das commodities, implicando em queda de renda para o produtor. Diante desses fatos, o PIB projetado para a agricultura em 2005 será ainda menor, não passando de 2,2% na projeção da CNA.
A queda do PIB agrícola transparece num crescimento menor da economia brasileira, que deve ficar entre 3,5% e 4% neste ano, com inflação sob controle, mas girando mais em torno de 6% do que dos 5% perseguidos pelo governo. A balança comercial vai continuar positiva, com saldo de cerca de US$ 27 bilhões.


