Comida é última a sofrer com crise
A indústria de alimentos não desenha um cenário muito animador para o próximo ano. Mas o setor de food service - alimentação preparada fora do lar - que responde por 20% das vendas de alimentos industrializados no País, continua exibindo bons resultados. Nos últimos quatro anos, o segmento cresceu 95%, enquanto o varejo obteve um aumento de 53%. O faturamento saltou de US$ 6,5 bilhões para US$ 13 bilhões em 1997. Para este ano a previsão é de a receita crescer mais 8%.
Este tem sido um dos segmentos com maiores destaques de crescimento dentro da indústria de alimentos, afirma Dênis Ribeiro, economista da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia). Pelas suas contas, uma em cada cinco refeições é preparada fora de casa.
Em 1997 a indústria de alimento gerou uma receita da ordem de US$ 70,26 bilhões, participação de 9% do PIB. Para este ano o segmento projetava um aumento de 2,5%, mas em meados de junho as contas foram revistas para baixo: a estimativa passou a ser a expansão de 1,5%. Hoje, a indústria já trabalha com a possibilidade de fechar o ano com taxa negativa de até 1%.
Altas taxas de juros e arrocho salarial foram apontados por Ribeiro como responsáveis por um mau desempenho do setor. A analista Luciana Massaad, do Banco Fator, tem um cenário mais favorável que Ribeiro para o setor de alimentos. Se existisse um ranking, mostraria que o ramo de alimentação é o último a ser afetado numa situação de crise, afirma. A seu ver, em momentos de retração, os produtos mais elaborados são os mais atingidos.
Para Massaad, as mais recentes aquisições no setor ajudam a aumentar sua rentabilidade. José Roberto Tambasco, diretor de Divisão do Grupo Pão de Açúcar, comunga das mesma idéia. O setor de alimentos é o último a sentir as consequências da crise, afirma. E acrescenta que neste momento as empresas se tornam cada vez mais competitivas, reduzindo seus preços.





