Comgás é vendida com ágio de 119%
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Agência Folha 
A British Gas e a Shell pagaram ontem um ágio de 119,3% pela compra da Comgás (Companhia de Gás de São Paulo), no primeiro leilão de privatização realizado depois da desvalorização do real, em janeiro. O preço final da empresa foi de R$ 1,65 bilhão. O resultado do leilão demonstra a confiança internacional em São Paulo e no Brasil, disse o vice-governador, Geraldo Alckmin.
A British Gas comprou 95% das ações colocadas à venda e a Shell, 5%. Com isso, a Shell, que já tem ações da Comgás, passará a deter 24% do capital com direito a voto da empresa. A British Gas terá o controle, com 65%. Esses percentuais poderão subir para 26% e 70%, respectivamente, na hipótese de os novos donos comprarem as ações que serão oferecidas aos empregados, que correspondem a 7% das ações com direito a voto (ordinárias).
A brasileira CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) não participou do leilão, mas fechou acordo com os vencedores e poderá aumentar sua participação na Comgás dos atuais 4% para até 10%. As duas empresas usarão recursos próprios na liquidação financeira do leilão, marcada para o dia 22. Ainda não há definição sobre a utilização de títulos da CPA (Companhia Paulista de Ativos), que podem ser destinados ao pagamento de cerca de R$ 225 milhões.
O consórcio British Gas-Shell concorreu com três grupos e ganhou com folga. O segundo maior ágio, oferecido pela norte-americana Enron, foi de 71,2%. O ágio de 119,3% é o maior já pago em privatizações do setor energético brasileiro.
Dioclécio de Araújo Filho, presidente da British Gas para a América do Sul, afirmou que o investimento se justifica, mesmo diante da crise econômica pela qual passa o Brasil. Investimos em uma empresa que esperamos operar por 50 anos. Ninguém faz um investimento desse olhando o curto prazo, observou Araújo.
O grande atrativo da Comgás é a possibilidade de expansão do consumo nos próximos anos. A área de concessão da empresa é a mais industrializada e populosa do Brasil: região metropolitana de São Paulo, Vale do Paraíba,
Baixada Santista e região de Campinas. Estimativas do mercado apontam crescimento dos atuais 3,5 milhões de metros cúbicos/dia para cerca de 20 milhões de metros cúbicos/dia até 2015.


