Comércio vive otimismo cauteloso
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de julho de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Os bons resultados das vendas no comércio durante os primeiros cinco meses do ano deixaram os empresários com um sentimento de ''otimismo cauteloso''. Pesquisa da Federação do Comércio (Fecomércio) do Paraná constatou crescimento nas vendas no período janeiro a maio deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.
Nos primeiros cinco meses do ano o crescimento das vendas no comércio da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) atingiu 6,08%. Já em Londrina, o crescimento das vendas foi mais modesto, de 0,13%. E em Maringá, as vendas aumentaram 3,22% no período. Os ramos de vendas de combustíveis, concessionárias de veículos, supermercados, lojas de departamentos, tecidos e calçados foram os que mais venderam.
Segundo o assessor econômico da Fecomércio, Vamberto Santana, o desempenho do comércio na Capital é resultado da melhoria do nível de emprego, sustentado pela indústria da região, enquanto o comércio de Londrina e Maringá é mais dependente do agronegócio. O comércio dessas cidades foi mais sensível às quedas de preços de produtos importantes como soja e milho, que vêm ocorrendo desde o início do ano.
Na região de Curitiba, o aumento da massa salarial proporcionado pelo emprego criou um quadro de confiança e as famílias assumiram gastos com financiamento para um período de quatro a seis meses, situação que dinamizou as vendas. Mas esse fator começa a mostrar indícios de esgotamento, admitiu Santana. No mês de maio, a pesquisa revelou um crescimento de apenas 0,37% nas vendas em Curitiba.
Nas cidades de Londrina e Maringá, o comércio vem sentindo os efeitos negativos da seca, que gerou uma queda nas atividades do Agronegócio. ''Só no Norte do Paraná houve uma quebra de produção agrícola de 8% a 10% e certamente a redução do faturamento na área rural está refletindo no comércio''. Segundo Santana, as mercadorias que no ano passado tiveram boas vendas, este ano não tiveram o mesmo desempenho.
No mês de maio, a pesquisa constatou um crescimento nas vendas de 3,67% em Londrina e relativa estabilidade em Maringá, com apenas 0,08% nas vendas em relação ao mês anterior. A pesquisa revela que o comércio nessas cidades já está reagindo à queda recente dos níveis de inflação, explicou Santana.
Santana acredita numa melhora das vendas do comércio daqui para frente. Segundo ele, com a atual crise política é muito provável que o governo não continue a aumentar os juros, que prejudicavam as vendas. ''Tudo indica que esse instrumento já está no limite e não deve mais ser usado'', afirmou. A tendência, segundo Santana, é que o cenário restritivo mude para um perfil de expansão e aquecimento econômico, para compensar a crise política instalada.


