Comércio vendeu menos em fevereiro no PR
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As vendas no comércio varejista cresceram 1,5% e a receita nominal 1,7% em fevereiro deste ano na comparação com o mês de janeiro no País. No Paraná, o resultado foi pior que o nacional, o volume de vendas caiu 1,6% e a receita nominal teve aumento de 1,2%. O supervisor da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE no Paraná, Rui Gil Zanotto, disse que a retração de vendas no Paraná pode ser explicada pela diminuição do consumo devido a gastos com IPTU, IPVA, matrículas, uniformes e materiais escolares.
Na comparação com fevereiro de 2008, o volume de vendas e a receita nominal do varejo cresceram 3,8% e 10,1%, respectivamente. No Paraná, houve um aumento de 3,3% no volume de vendas no mesmo período. Para a presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Avani Slomp Rodrigues, o resultado positivo do ano pode estar associado ao aumento de renda da população.
No acumulado do ano (janeiro e fevereiro), o volume de vendas brasileira cresceu 4,9% e a receita nominal 11%. No Paraná, as vendas caíram 0,6% e a receita teve um incremento de 2,7%. Nos últimos 12 meses, volume e receita acumularam crescimento de 8% e 14,2%, respectivamente.
Em fevereiro, sete das dez atividades pesquisadas tiveram altas no volume de vendas no Brasil: veículos e motos, partes e peças (4,6%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (4,3%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (4%), material de construção (3,8%), hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (2,9%), combustíveis e lubrificantes (2,7%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,9%), tecidos, vestuário e calçados (-1,1%), móveis e eletrodomésticos (-1,2%), e livros, jornais, revistas e papelaria (-9,1%).
Já em relação a fevereiro de 2008, apenas duas atividades do varejo tiveram queda no volume de vendas: móveis e eletrodomésticos (-2,1%) e tecidos, vestuário e calçados (-6,9%).
O segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceu acima da média: 5,6% no volume de vendas em fevereiro sobre o mesmo mês de 2008 e foi responsável pela principal contribuição (74%) da taxa global do varejo. Este desempenho foi motivado pelo aumento do poder de compra da população, decorrente do aumento da massa real do salário (6,2% sobre fevereiro de 2008). Também contribuiu para o crescimento da atividade, a desaceleração dos preços dos alimentos nos últimos meses.
A atividade de outros artigos de uso pessoal e doméstico, segundo maior impacto na formação da taxa do varejo (23%), cresceu 10,5% no volume de vendas, em relação a fevereiro de 2008.
A atividade de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com a terceira maior participação na taxa global do varejo, cresceu 12% em relação a fevereiro de 2008, acumulando crescimento de 12,6% nos últimos 12 meses. A expansão da massa de salários e a diversificação na linha de produtos comercializados são os principais fatores do desempenho positivo do segmento.
Móveis e eletrodomésticos, com variação de -2,1% no volume de vendas em relação a fevereiro do ano passado, teve seu primeiro resultado negativo, após 65 meses (mais de cinco anos) de alta. Essa queda deve ser atribuída às restrições de crédito e ao comportamento mais cauteloso do consumidor.
O segmento de tecidos, vestuário e calçados, que retraiu o volume de vendas em -6,9% com relação a igual mês do ano anterior, completa quatro meses em queda, o que se explica também pelo conservadorismo do consumidor diante do atual quadro recessivo da economia.


