O volume de vendas do comércio varejista do País caiu em junho, pela terceira vez consecutiva este ano, conforme pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). A queda em junho foi de 0,99%. Desde o primeiro trimestre, a elevação das taxas de juros, somada ao enxugamento do crédito e à desconfiança do consumidor, já vinha afetando o desempenho do comércio. O quadro, agora, foi agravado pelo racionamento de energia, que aumentou as incertezas quanto aos rumos da economia e provocou retração de vendas, com destaque para o grupo de móveis e eletroeletrônicos, cujo volume de vendas caiu 3,78%.
''O comércio vive essencialmente do crédito. Acho difícil uma recuperação integral no segundo semestre. Será um período fraco, bem fraco'', analisa Luiz Roberto Cunha, economista da PUC-RJ. Ele explicou que pesquisas feitas pelo Instituto Fecomércio, do qual participa, comprovam que as dúvidas sobre a crise energética inibem o impulso de compra. Receoso com a retração da atividade econômica e com o risco do desemprego, o consumidor, por exemplo, não transforma em gastos as poupanças feitas com energia, detectou o levantamento.
Para o técnico do Departamento de Comércio e Serviços do IBGE Nilo Lopes, ''já havia um quadro que assustava um pouco e, quando vieram as primeiras discussões sobre as medidas do racionamento, surgiu um novo fator negativo''. Em maio, o comércio já havia encolhido 2,10% e em abril, 2,02%.
No mês de junho, os maiores impactos na queda das vendas foram do grupo de combustíveis e lubrificantes, cujas vendas encolheram 3,01%, com uma contribuição de 0,37 ponto porcentual na queda de 0,99% das vendas no mês.
No primeiro semestre, as vendas do comércio registram queda de 0,92% no País. Apesar disso, a receita bruta avançou 6,09% no período.

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