Comércio vende menos no Paraná, na análise do Dieese e Sindicom
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de agosto de 2002
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O comércio no Paraná teve queda de 3% nas vendas do primeiro semestre e a expectativa também é de redução nos negócios até o fim do ano, se o dólar se mantiver na cotação atual. A avaliação foi feita ontem pelo Sindicato dos Comerciários de Curitiba e região metropolitana (Sindicom) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
O Sindicom analisa que o comércio só vai conseguir melhorar o desempenho no segundo semestre se o setor vencer uma queda de braço com a indústria. ''A variação cambial já chegou às fábricas, que estão incorporando a alta do dólar nos preços. O comércio sabe que as vendas estão em queda e que esse repasse prejudicaria mais ainda'', disse o economista técnico do Dieese, Cid Cordeiro. Para ele, se o dólar se mantiver na casa dos R$ 3,00, o repasse de custos da indústria será inevitável. ''O que será discutido nesse caso vai ser o percentual. O comércio deverá reduzir a margem de lucro para não haver redução ainda maior de vendas'', acrescentou.
O único segmento que teve aumento de vendas neste semestre foi o de combustíveis e lubrificantes (variação de 11,2%) e o de móveis e eletrodomésticos (0,2%). O comércio varejista teve queda de 3%; para hipermercados, supermercados, bebidas e fumo a redução foi de 7%; tecidos e vestuário 16,3%; artigos pessoais 0,2%; veículos, motos e peças 10,2%. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o diretor do Sindicom, José Milton Camargo, a variação cambial, a manutenção da crise na Argentina e a queda de 5% na renda da família paranaense (dados de abril) são os responsáveis pela retração nas vendas.
Mesmo com o quadro pessimista apontado pelo Dieese e Sindicom, o nível de emprego no comércio do Paraná aumentou 2,7% no primeiro semestre. O crescimento foi maior no Interior, motivado pela boa fase da agricultura, argumentou Cid Cordeiro. Para ele, o aumento no número de vagas também mostra um certo otimismo com a retomada do crescimento da economia brasileira.


