Arquivo FolhaNardelli, da ACP: ‘‘Houve setores com movimento até 80% menor’’As lojas curitibanas entraram neste mês com uma perspectiva de redução nas vendas. A primeira semana de novembro já reflete uma queda média de 20% no volume de produtos comercializados. A redução foi verificada pelo departamento do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). De uma média de 7 mil consultas diárias feitas pelos comerciantes, houve uma diminuição para 5,6 mil. A Associação Comercial do Paraná (ACP) atribuiu os resultados ao reflexo do aumento da taxa de juros.
Os juros elevados e a campanha para que o consumidor adie as compras no crediário provocaram uma fuga em massa das lojas, analisa o presidente do Conselho de Serviços da ACP, Luiz Valdir Nardelli. ‘‘Alguns setores do comércio tiveram queda de até 80% nas vendas’’, afirmou Nardelli. Ele disse que os segmentos mais afetados são os que vendem produtos com maior valor, como as concessionárias.
O aquecimento nas vendas deve acontecer à medida que houver a redução das taxas de juros. Mas no final do mês e início de dezembro deve ocorrer um crescimento nas vendas por causa do Natal. Nardelli alerta o comércio para não se empolgar com as vendas. ‘‘Teremos o pior Natal desde o início do Plano Real’’, assegurou.
Ao contrário da queda registrada neste início de mês, o comércio fechou outubro com um crescimento de 19,3% em relação ao mês anterior. Na comparação com o ano anterior, outubro fechou com crescimento de 21,3%. A variação positiva em outubro interrompeu um período de queda nas vendas que vinha acontecendo desde agosto.
Quanto à inadimplência, os números continuam elevados. A avaliação da Associação Comercial é de que 13,3% das pessoas que compram no crediário estão com prestações atrasadas em mais de 90 dias. O índice de pessoas, que compram em prestações e não conseguem honrar o pagamento, representa 35,3% da população economicamente ativa. A inadimplência aumentou 10% entre os meses de setembro e outubro. A inadimplência no comércio curitibano era de apenas um dígito durante os primeiros meses de implantação do Plano Real. Em setembro de 1994, 3,7% dos consumidores não pagaram as contas do crediário. A partir daí, as taxas saltaram e não caíram mais.

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