Comércio varejista pagou 20,89% a mais em tributos
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sábado, 28 de janeiro de 2012
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
A evolução no aumento da tributação em 2011 foi considerável em alguns setores da economia brasileira. O maior crescimento ficou com o comércio varejista (20,89%), e arrecadação de R$ 23,372 bilhões. Já em relação ao maior volume, as entidades financeiras contribuíram com R$ 116,699 bilhões (12,19%), seguido do comércio atacadista, com R$ 46,731 bilhões (10,98%) e a indústria de veículos automotores, com R$ 36,920 bilhões (11,61%).
Edson Campagnolo, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), diz que por um lado vê com bons olhos os recordes de arrecadação. ''Isso mostra que o Governo Federal está conseguindo diminuir a informalidade e sendo eficiente para angariar recursos''. Porém, Campagnolo salienta que a equipe econômica da presidente Dilma Rousseff não está trabalhando de forma efetiva para uma reforma tributária. ''Estamos no limite. Os custos para que as empresas consigam cumprir com a legislação são elevadíssimos''.
O presidente da Fiep também elogia algumas ações governamentais como a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), mas questiona se esta seria a melhor alternativa para solucionar o problema. ''Será que o melhor caminho não seria uma grande reforma (tributária)? Estamos perdendo competitividade para os produtos importados, que estão muito presentes no País''.
Nivaldo Benvenho, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), analisa dois pontos importantes em relação ao aumento considerável na arrecadação de tributos do comércio varejista. Um dos motivos é justificado pelo incremento da massa salarial do brasileiro, que acaba gerando mais empregos no comércio e consequentemente faz com que a arrecadação tenha evoluído no ano passado. ''Sem dúvida, toda esta cadeia acaba repercutindo na arrecadação dos tributos. Não posso especificar por setor do comércio, a tributação sem dúvida é generalizada e, claro, em excesso''.
A outra questão, segundo Benvenho, é ligada ao aumento da importação de produtos. O presidente da Acil explica que os importados não geram impostos no setor industrial, mas acabam ''respingando'' no varejo. ''A indústria fica isenta da tributação, mas o comércio acaba pagando pela entrada deste produto. É um movimento arriscado, pois pressiona o varejo e enfraquece a indústria'', avalia ele.
Simone Stamm, proprietária da Face Bela Cosméticos e Perfumes, relata que boa parte do seu catálogo de produtos são de importados. Ela explica que compra de diversas importadoras e que o valor da tributação é bem elevado, com as alíquotas variando dependendo de cada item. ''Mesmo assim, conseguimos vender os artigos em preços bem competitivos devido à atual estabilidade do dólar e o esforço das marcas em ingressarem no mercado brasileiro. Hoje, trabalho com perfumes importados mais baratos que alguns nacionais'', completa ela.


