Das 42.066 admissões feitas em Londrina de janeiro a maio deste ano, somente 5.763, ou 13,7%, foram na indústria de transformação. É a pior participação deste setor nos oito municípios do Sul do País com população entre 300 mil e 800 mil habitantes - excetuando capitais e cidades de regiões metropolitanas de capitais. O fato pode ajudar a explicar o porquê de Londrina apresentar salários iniciais mais baixos, conforme mostrou a FOLHA em reportagem publicada ontem.
Em Pelotas (RS), que também apresenta baixos salários, o porcentual da indústria nas admissões é só um pouco maior: 14,1%. Nas outras cidades, o setor tem participação expressiva: Ponta Grossa (18,9%), Maringá (19,6%), Cascavel (22,2%), Joinville (28,5%), Blumenau (31,1%), e Caxias do Sul (33%).
O problema, no entanto, não é apenas a baixa participação da indústria nas contratações. Os demais setores da economia oferecem salários iniciais menores na cidade. Pelo menos foi assim em maio, único mês com informações segmentadas disponíveis no novo portal do Ministério do Trabalho e Emprego.
No comércio varejista, Londrina teve a segunda pior média: R$ 1.091, ganhando apenas de Pelotas: R$ 1.068. A melhor média do varejo foi a de Joinville: R$ 1.256. Em Maringá, a média foi de R$ 1.229.
Apesar de Londrina ser considerada um importante centro médico, os salários iniciais da "atividade de atenção à saúde humana" são baixos: R$ 1.155. Maringá, Joinville, Blumenau e Caxias do Sul ofereceram médias melhores: R$ 1.162, R$ 1.481, R$ 1.523 e R$ 1.504, respectivamente.
Já as atividades de serviços financeiros foram as responsáveis pelo pior desempenho de Londrina. No mês de maio, o salário médio de contratação neste segmento foi de R$ 2.550. Maringá, Joinville e Pelotas tiveram médias bem acima: R$ 3.855, R$ 3.437 e R$ 3.112. Somente Blumenau ofereceu um salário médio menor, de R$ 2.468.
O economista do Observatório do Trabalho, da Secretaria de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social, Juliano Padilha, observa que, de janeiro a maio deste ano, a faixa até um salário mínimo representou 12,8% das contratações em Londrina. É o maior porcentual na comparação com os outros principais municípios do Estado. Em Maringá, por exemplo, os salários mais baixos representaram apenas 6,2% das admissões. Em Cascavel foram 7,2%; em Curitiba, 8,6%; e em Ponta Grossa, 12,5%.
Na outra ponta, Londrina teve a segunda menor participação na faixa superior, de mais de dois salários mínimos: 8,9%. Só Cascavel teve menor porcentual (8,5%). Em Maringá, os salários mais altos representaram 10,6% das contratações; em Ponta Grossa, 12,5%; e em Curitiba 14,6%. "O que se observa de peculiar na comparação com os demais municípios é que, em Londrina, houve uma significativa contratação de operadores de telemarketing. Em virtude da baixa qualificação necessária para essa atividade, há uma média salarial menor", afirma.
Outra explicação, segundo o economista, é que Londrina, nos últimos dois meses, teve dois saldos negativos de empregos: -1.073 postos de trabalho em abril e –839 em maio. As principais demissões ocorreram em setores que pagam mais relativamente (indústria e construção civil), por exemplo. "Em abril, houve extinção de 483 vagas na indústria, sendo a maioria em abatedores (-165), e 198 na construção civil. Em maio, houve um número expressivo de desligamentos novamente na indústria (-622), especialmente nos frigoríficos", declara.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, concorda com o economista. "Londrina tem um universo muito expressivo de vagas de call center, que tem os menores salários. E é um setor com rotatividade grande. Então, todos os meses, há um número muito grande de contratações", afirma. Segundo ele, os salários de call center "puxam" para baixo a média da cidade.
Sobre o salário mais baixo do comércio varejista em maio, ele disse ser uma surpresa. De acordo com Orsi, as diferenças de média salarial do setor na cidade, na comparação com os demais municípios, é muito grande. Na visão dele, pode haver uma situação pontual. "Não posso acreditar que Londrina viva um achatamento salarial."

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