Comércio varejista fechou 2002 em queda
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba O comércio varejista não teve um bom resultado em dezembro, o que contribuiu para que o setor apresentasse desempenho negativo em 2002. As vendas nacionais caíram 4,93% no mês e 0,68% no acumulado do ano. No Paraná, a retração foi de 2,95% em dezembro e 0,69% no ano. Os dados foram divulgados, ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os números de dezembro mostram que o Natal de 2002 foi pior para o comércio do que o Natal de 2001. ''O resultado era em até certa parte esperado, já que a partir do último trimestre algumas variáveis começaram a se agravar, como a taxa de inflação, principalmente a que se referia aos alimentos'', afirmou o técnico da pesquisa de comércio do IBGE, Nilo Macedo.
O aumento de preço dos alimentos prejudicou o desempenho do segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo em 2002. O volume de vendas caiu 1,76% no Brasil. O setor de demais artigos de uso pessoal e doméstico (que inclui gastos com farmácia, papelaria, lazer, entre outros) variou -1,45% em relação ao ano anterior. Tecidos, vestuário e calçados teve queda no volume de vendas de 1,24% e móveis e eletrodomésticos apresentou retração de 0,54%.
O único resultado positivo do varejo nacional em 2002 foi o de combustíveis e lubrificantes, com alta no volume de vendas de 5,61%. No Paraná, o setor teve desempenho ainda melhor: cresceu 17,11%. De acordo com o IBGE, esse movimento foi possível por causa de estabilidade de preço dos produtos nos primeiros meses do ano passado. O outro segmento que teve bom desempenho no Estado foi o de artigos de uso pessoal, com alta de 1,84%.
Os demais segmentos não conseguiram um bom resultado no Paraná no ano passado. O setor de supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo teve retração de 5,75%; o de vestuário e calçados, 11,98%; de móveis e eletrodomésticos, 1,60%.
''Apesar da taxa global do Paraná ter sido semelhante à média nacional, o Estado teve queda acentuada em gêneros básicos. Além da situação conjuntural, com alta de juros, variação cambial e recrudescimento da inflação, o esvaziamento do Mercosul também influenciou'', relatou Macedo. Segundo ele, a crise argentina e em menor medida a do Uruguai e Paraguai prejudicou o turismo, que é muito importante para o desempenho do comércio. Por causa das variações de preço, a receita nominal de vendas do comércio nacional cresceu 7,36%, e do comércio paranaense, 6,70%.


