Curitiba - O comércio do Paraná está demitindo trabalhadores com salários mais altos para contratar novos empregados com salários menores. Pesquisa divulgada ontem pela Federação dos Empregados no Comércio, o Sindicato dos Empregados no Comércio e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) mostra que em 2005, a diferença salarial entre o salário de admissão e demissão chegava a 11,5%.
Em 2004, a diferença era menor e chegava a 8,67%. Em dezembro do ano passado, o salário de admissão foi de R$ 468 contra R$ 529 dos que foram demitidos. Na Região Metropolitana de Curitiba, a diferença entre os dois salários é de 8,20%.
O presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio, Ariosvaldo Rocha, disse que são realizadas de 140 a 160 homologações de demissões por dia na entidade, relativas apenas a trabalhadores do comércio da Capital. De acordo com ele, a maior parte destes funcionários tem entre um e dois anos de trabalho. ''O salário é o maior motivo para o desligamento. A renda dos trabalhadores vem caindo ano a ano porque as empresas demitem para contratar pessoas com salários menores'', explicou.
Foi o que aconteceu com a estoquista Taciane Godoy, 19 anos. Ela trabalhava há 1,4 meses em uma rede de farmácias da Capital e ganhava R$ 488 por mês. Segundo ela, a empresa alegou redução de funcionários.
De acordo com Rocha, o comércio varejista é o que mais demite para contratar com salários menores. Muitas das empresas que estão demitindo são de pequeno porte. ''Os empresários do comércio não têm noção que isso (as demissões) afeta a eles mesmos'', disse o economista do Dieese, Sandro Silva. O piso salarial no comércio varia de R$ 383 a R$ 426 porque há 14 convenções coletivas diferentes.
Outro problema identificado pelo Dieese foi a diminuição do prazo das contratações temporárias para o Natal que há três ou quatro anos acontecia em setembro ou outubro e agora ocorre em novembro ou até dezembro. Segundo Silva, isso faz ter menos dinheiro na economia. De acordo com ele, cerca de 30% dos temporários são efetivados para ampliar o quadro de funcionários ou para substituir os empregados antigos.
Balanço - No ano de 2005, o emprego no comércio do Estado teve um aumento de 6,16% com a criação de 25.183 postos de trabalho. Em relação ao ano de 2004 quando foram criados 35.049 empregos, houve queda de 28% nas vagas geradas. Sandro Silva explicou que essa desaceleração no emprego está ligada a política econômica do País que teve fatores como alta dos juros, redução dos investimentos e vinda de capital especulativo para o Brasil com a valorização do real.
O Paraná tem 433.722 trabalhadores com carteira assinada no comércio, setor que representa 21% dos empregos totais do Estado.

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