Comércio vai anistiar inadimplentes
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quarta-feira, 22 de outubro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Arquivo FolhaFicha limpaLojistas querem trazer os consumidores de volta às compras no Natal Os lojistas da região de Curitiba lançarão uma campanha no próximo dia 31 que pretende perdoar e anistiar parte das dívidas dos inadimplentes. A meta é tirar do cadastro do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) pelo menos 100 mil dos cerca de 350 mil devedores no comércio. A forma que será utilizada pelos comerciantes ainda está sendo discutida entre os diretores da Associação Comercial do Paraná (ACP) e os empresários do setor.
O presidente da ACP, Ardisson Akel, disse que a intenção é englobar as principais empresas que atuam em Curitiba, onde há maior concentração de crediários não pagos. Pelo menos 15 grupos que atuam em Curitiba já concordaram em entrar no programa. Estamos negociando com os grandes concessionários de créditos para que eles apresentem sugestões de como reduzir os números, afirmou Akel. Entre as possibilidades que podem ser adotadas estão a redução das taxas de juros cobradas, o desconto de parte da dívida em caso de pagamento à vista do total devido e ampliação do prazo de pagamento da dívida.
As regras, que serão adotadas para estimular o devedor a pagar o débito, devem ser definidas até o final da próxima semana. Temos que detalhar o que as empresas podem dar, afirmou Akel. Ele salientou que é necessário restituir a condição de consumidor que foi tirada das pessoas no momento em que elas entraram para a lista dos inadimplentes.
O comércio acabou entendendo que não há vantagem alguma em manter um cadastro cheio de inadimplentes, que não pagam as contas e por consequência não consomem mais. Desde março houve uma queda no volume de vendas, principalmente no setor de eletrodomésticos. A reabsorção de mais 100 mil consumidores devedores representaria uma melhora no desempenho das empresas. Estas pessoas são potenciais consumidores neste fim de ano, com a proximidade do Natal.
A inadimplência no comércio tem-se mantido em patamares elevados desde a implantação do Plano Real, há três anos. A cada mês há uma variação de crescimento ou queda em relação ao mês anterior, mas nunca houve uma redução significativa que pudesse trazer tranquilidade ao comerciante. A estimativa é que cerca de 5% dos consumidores deixam de pagar as prestações do crediário, número acima da média histórica de 1%.
Se não fizermos nada, não haverá a mínima chance de redução da inadimplência nos próximos meses, afirmou o diretor do SCPC, Luiz Nardelli. Em setembro, o número de pessoas que comprou no crediário e não pagou foi 9,27% maior que em agosto. O SCPC teve 37,3 mil registros.


