Os juros nas vendas financiadas do comércio permanecem altíssimos, mesmo com a inflação baixa, com a queda dos juros primários e com os constantes anúncios de reduções das taxas feitos pelo varejo. Pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que a taxa média em São Paulo no comércio, durante o mês de fevereiro, foi de 9,23%, o que representa 188,47% ao ano, contra uma inflação projetada entre 6% e 7% para 1997. O menor juro praticado foi no setor de veículos (0,70%/mês) e a maior no comércio de artigos de ginástica (22,13%/mês).
Com taxas um pouco acima de São Paulo se destacou somente o Rio, com juro de 9,37% ao mês e 192,94% ao ano. A média nacional dos juros mensais ficou em torno de 9,12% ao mês, o equivalente a 185% ao ano. Esta taxa de 9,12% é 91.100% superior à inflação de 0,01% do IPC/Fipe de fevereiro. Em fevereiro os juros tiveram queda de 4,30% em relação a janeiro. Mas a taxa tem se mantido entre 9% e 9,5% nos últimos meses.
O vice-presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, observa que enquanto o CDI, isto é o custo do dinheiro entre os bancos, caiu 56,43% de agosto de 95 para cá, os juros no comércio baixaram apenas 38,59%. ‘‘Se os juros em média tivessem caído na mesma proporção, deveriam estar na base de 6,47% ao mês’’, diz.
Na avaliação de Ribeiro, mesmo depois que o governo liberou o desconto de pré-datados para os lojistas nos bancos - que antes recorriam ao desconto em factorings com juros mais altos - a queda das taxas foi pequena e não repassada ao consumidor.
Foram entrevistadas na pesquisa também 519 consumidores de todas as classes sociais e ficou constatado que 96% deles entram em financiamentos sem saber qual a taxa de juros embutida na compra a prazo e se preocupam apenas com o valor da prestação. Entre aqueles que afirmaram conhecer os juros embutidos, 4% faziam o cálculo errado para saber a taxa que estavam pagando.
A pesquisa dos juros praticados pelo comércio foi feita em 122 mil anúncios de classificados dos jornais de abrangência nacional. No levantamento se concluiu que as reduções dos juros anunciados pelas lojas têm sido mínimas e em muitos casos nem ocorreram. Na análise da Anefac a queda das taxas vem ocorrendo na ponta dos investimentos onde os aplicadores vem recebedo menos juros pelo capital emprestado. A pesquisa voltou a constatar que as lojas fazem propaganda enganosa ferindo o Código de Defesa do Consumidor e sem qualquer interferência dos órgãos competentes. A maioria dos anúncios pesquisados (73%) são de empresas médias e pequenas.
Os principais problemas levantados na última pesquisa foram: 93% dos anúncios não informam em destaque a taxa de juros praticadas nas vendas a prazo; 87% deles informam de maneira não clara ou ilegível as taxas dos financiamentos; 67% dos anúncios que publicam o juro, informam uma taxa inferior à praticada e todos os anúncios não dizem qual a taxa anual de seus financiamentos. Os setores onde estes problemas ocorrem com mais frequência são agências de turismo (98%); vendas de artigos de informática (97%); agências de veículos (94%); lojas de artigos e aparelhos celulares (92%) e lojas de utilidades domésticas (92%).

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