Rio de Janeiro - As vendas do comércio varejista, mais um vez capitaneadas pelo setor de móveis e eletrodomésticos, registraram recorde histórico em junho e no primeiro semestre deste ano. A melhoria das condições de crédito, com alongamento de prazo de pagamento para os consumidores, e a retomada do processo gradual de recuperação da renda foram os principais responsáveis pelo bom desempenho. Aliado à base de comparação deprimida do ano passado, o novo cenário elevou em 12,98% o faturamento em junho ante igual mês de 2003; no primeiro semestre, o setor acumulou alta de 9,3%.
O técnico Nilo Lopes, responsável pela análise dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) disse que, além da continuidade do impacto forte dos eletrodomésticos, a pesquisa mostrou que outros segmentos que dependem diretamente da renda dos trabalhadores, como o de alimentação, já começam a mostrar sinais mais vigorosos de recuperação. ''Há um comportamento bem menos negativo dos salários e a taxa de ocupação está mais elevada do que nos últimos meses'', afirmou.
Os resultados da Pesquisa Mensal do Comércio, divulgados ontem pelo IBGE, são os melhores desde o início da série, em janeiro de 2001. No acumulado em 12 meses, pela terceira vez consecutiva a pesquisa mostrou variação positiva (3,31% até junho) e em aceleração, também nesse caso um resultado inédito desde o início da pesquisa.
O segmento de móveis e eletrodomésticos registrou aumento de 36,31% nas vendas em junho e de 29,4% no primeiro semestre, ante iguais períodos de 2003. Para essa pesquisa, não são divulgados dados comparativos com o mês anterior. Segundo Lopes, os eletrodomésticos vêm se beneficiando das melhores condições de crédito e especialmente do alongamento dos prazos para pagamento das compras, que leva a prestação a caber no orçamento do consumidor. Ele atribui o forte crescimento do setor, ainda, a lançamentos de novos produtos e à demanda reprimida dos anos anteriores.
Como exemplo da reação de segmentos mais vinculados à renda - já que os móveis e eletrodomésticos dependem mais diretamente do crédito - Lopes citou a recuperação do grupo de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que registrou aumento de 8,78% em junho, acelerando após o crescimento de 5,03% em maio. Outro exemplo citado é o dos combustíveis e lubrificantes, que também acelerou o crescimento nas vendas para 7,8% em junho, ante 4,1% em maio.

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